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CATARRO VERDE

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ASSIM É, SE LHE PARECE.

[Pirandello]



BLOG MAL E PORCAMENTE
ESCRITO DESDE 2001 POR SERGIO FARIA,
GINECO-PROCTOLOGISTA AMADOR,
ADVENTISTA DO 7º DÍGITO,
TRESBESTERIANO E DEVOTO
DE SANTA IGNORÂNCIA.

MELHOR VISUALIZADO
POR QUEM NÃO É CEGO.







COMENTAR?



Primeira lição
de informática:

software é aquilo
que você xinga,

hardware é aquilo
que você chuta
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Quarta-feira, Julho 31, 2002
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A Pan, fabricante daqueles cigarrinhos de chocolate, pediu concordata. Enquanto isso, como se diz nas HQ, o oligopólio da Nestlé vai muito bem, obrigado, Cade. Tirando 2 ou 3 fabriquetas tipo a Kopenhagen, que tem 1% do mercado nacional, sobrou só a Lacta [leia-se Kraft Foods, uma das empresas do grupo RJ Reynolds, traficante internacional de nicotina] pra "encarar" a parada.

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Você devia zelar pela sua imagem, Serjones.

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Sacanagem você escrever isso, Serjones. O que é que as meninas vão pensar de você?

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E, de mais a mais, defunta não recrama, não fica discutindo a relação, é ou não é?

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Respeitável público, ziguinte: o André Conti, meu caro chapinha bem informado, garantiu-me que o bar Ó do Borogodó já abriu ônti. Vou mandar umas manguaça Baronesa acompanhadas de caldo de feijones na companhia do André e de duas defuntinhas tesudas, qualquer dia desses. Arrombaremos dois túmulos recém-ocupados e praticaremos uma necrofilia porreta! Basta aquecer as presuntas em banho-maria e tudo benz! Na falta de tu vai tu mesmo, ô se vai.

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Alou, alou, meu chapinha Jean Boechat. Você, que andava a fins de ver os filmes originais do Jerry Lewis [que eu falava Jérri Lévis, assim como falava Kim Nováqui], não pode perder essa. De 5 a 18 de agosto, no Telecine Happy, 14 filmes do cara! Sem dublagem! O horário? Num sei!

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Thiago Batista, o criador do Sendo Thiago Batista, lê o Catarro Verde. Abracetas, caro cara. Temos religiões parecidas, você é presbiteriano e eu sou tresbesteriano:)

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Eu curto o Pereio. Feita a ressalva, devo dizer que alguém precisa dirigi-lo corretamente como locutor. Tenho visto o comercial onde ele anuncia o filme [eu acho que é um filme] Vampiromania e a coisa tá ruim demais. O Pereio padece do mesmo mal que acomete a maioria dos locutores comerciais ignorantes e apresentadores/repórteres da TV: a mania de tonificar a primeira sílaba das palavras longas. Assim, internacional vira IN-ternacional, por exemplo. Nesse comercial, o Pereio lê VAM-piromania. Cada vez que eu ouço, fico pensando se o filme é sobre a inútil obsessão de tacar fogo em alguma coisa [vã piromania] ou sobre o hábito de incendiar vans [van-piromania].

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Nossa Senhora
[Roberto e Erasmo]

Cubra-me com seu manto de amor
Guarda-me na paz desse olhar
Cura-me as feridas e a dor
Me faz suportar
Que as pedras do meu caminho
Meus pés suportem pisar
Mesmo ferido de espinhos
Me ajude a passar


Se ficaram mágoas em mim
Mãe, tira do meu coração
E àqueles que eu fiz sofrer
Peço perdão
Se eu curvar meu corpo na dor
Me alivia o peso da cruz
Interceda por mim, minha Mãe
Junto a Jesus


Nossa Senhora
Me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida
Do meu destino


Nossa Senhora
Me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida
Do meu destino
Do meu caminho
Cuida de mim


Sempre que o meu pranto rolar
Ponha sobre mim suas mãos
Aumenta minha fé
E acalma o meu coração
Grande é a procissão a pedir
A misericórdia, o perdão
A cura do corpo
E pra alma a salvação


Pobres pecadores, ó Mãe
Tão necessitados de vós
Santa Mãe de Deus
Tem piedade de nós
De joelhos aos vossos pés
Estendei a nós vossas mãos
Rogai por todos nós vossos filhos
Meus irmãos


Nossa Senhora
Me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida
Do meu destino
Do meu caminho
Cuida de mim

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Terça-feira, Julho 30, 2002
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Cirocollor parou de crescer. Andando com o ACM, ele deve começar a cair. E a propaganda eleitoral na TV pode jogar a pá de cal.

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Arquivos quebrados ainda. Já que tem de mexer, vou ver se troco a cor dos links. Depois.

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O bar Ó do Borogodó, que eu já recomendei aqui, 18/7/01 e aqui, 28/5/01 [aquele atrás do Cemitério São Paulo, que os caras projetavam filmes 16mm no muro], está vivendo dias de Tales from the Crypt. Você já deve ter lido. Alguém abandonou uma geladeira na calçada do cemitério, bem na frente do bar. Um cara tava biritando e resolveu que ia levar o motor da geladeira. Abriu e achou um cadáver! Chamaram a polícia, o presunto foi removido mas a geladeira ensangüentada ficou lá. Como manter o bar aberto? Até ontem tava fechado e sem a placa. Muito loco.

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Seu Trasso é o apelido brasileiro do grego Thrassyvoulos Georgios Petrakis, o dono do Acrópolis. Faz tempo que o chamo de seu Trasso, aprendi com as garçonetes da casa.

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Sacanagem. Um motoqueiro atropelou o seu Trasso, 82 anos, dono do restaurante Acrópolis, no Bom Retiro [SP]. Se você conhece e gosta dele, calma, calma. O velho está vivo e em casa, com a perna engessada. Meno male. Quem assumiu o comando do Acrópolis foi a filha, que eu não conhecia. Perguntei o nome dela a um garçom gorducho, ele esclareceu:

– O nome dela chama Cráudia.

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Cirocollor e ACM juntos e sorridentes, hoje no telejornal da manhã. Não sei por que, não lembro onde, tenho a impressão de que já vi esse filme antes. Se não me engano, nóis se fode no final.

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Segunda-feira, Julho 29, 2002
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Bem feito, beija o cu do prefeito.

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Te benzo, te curo, com a bosta do burro.

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Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu.

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Tá dando uma confusão danada aquele negócio do fubá, muita gente contra, muita gente a favor. Eu tenho nojo de fubá. Polenta, então, não gosto nem do nome. Um troço que tem esse nome só podia ser feito com uma coisa que tem aquele nome: fubá. Putakiuzpa, me dá vontade de golfar:P

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A Mariana Cotrim está lendo o Catarro Verde novamente, agora a bordo de um Macintosh com pintura metálica, bancos de couro e ar condicionado. Beijucaz, Mariana!

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Sexta-feira, Julho 26, 2002
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Meu caro chapinha Mauro Prado, aí vão os 3 diálogos do motorista com o carro IBM publicados dia 23/7/2001. Os arquivos quebraram de novo, tô sem tempo de consertar e é mais rápido republicar. O texto introdutório [ops] ruim entre aspas e amarelo é da Folha Online. Abracetas!

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Li na Folha Online:

"Um carro desenvolvido pela IBM conversa com o motorista para que ele não durma ao volante, e chegará ao mercado em 5 anos, segundo a revista New Scientist. O sistema inclui um plano de diálogo e dispositivos que estimam o tempo de resposta. Se o motorista demorar a responder ou apenas resmungar, será rapidamente punido por um jato de água gelada, a abertura de uma das janelas do carro ou um alerta sonoro. O sistema ainda possui outros truques sujos. Ele troca as estações do rádio e conta piadas, apenas para averiguar as reações do motorista."

Fico imaginando as conversas entre carro e motorista na estrada:

– Você dirige bem, à noite
– Uhum…
– Está com sono?
– Um pouco...
– Quer que eu cante?
– Não, polca e mazurca não!
– Não tenho culpa de ser um Passat alemão
– Eu devia ter comprado um Peugeot
– Carro de viado...
– Mas você cantaria Ne me quittez pas
– E você dormiria
– Lá vem você…
– Que tal uma piada?
– Já conheço as suas piadas
– Na última revisão eles trocaram…
– Não, eu prefiro ouvir a CBN
– Aqui o rádio não pega
– Então foda-se…
– Ainda faltam 30 km, você agüenta?
– Porra, não enche!
– Não vai dormir no volante?
– Você está me irritando!
– Quer um boquete?
– Da última vez você mordeu...
– Foi você que passou naquele buraco, lembra?
– Me deixa dirigir sossegado
– Tem uma curva a 500 metros
– Não tem curva nenhuma
– Tem sim, curva fechada a 420 metros
– Eu conheço essa estrada...
– Então você sabe: curva a 340 metros
– É um retão, não tem curva!
– Você está a 150, reduza para 100
– Não tem curva nenhuma!
– Tem sim, a 120 metros!
– Não vejo curva nenhuma!
– Ali à direita! Rápido, o freio!
– Puta que pariu!
– Mantenha a calma
– Caralho!
– Eu avisei… Você cochilou
– Quantos km faltam?
– 28. Vou te espirrar água gelada
– Nem pense em fazer isso!
– Eu tenho que fazer, a IBM programou...
– Olha que eu ponho o CD da Calcanhoto!
– Está bem, eu não espirro.

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– Trouxe dinheiro trocado?
– Pra quê?
– Tem pedágio no km 27
– Tenho 10 reais
– Agora é 15, aumentou
– Filhos da puta!
– Pois é. E você votou neles...
– Dispenso a observação
– Reduza a velocidade
– Mas eu estou a 80!
– Reduza para 60
– O que foi, virou carroça?
– Faça o que eu disse: 60
– Tá bom, 60
– Só até o cara detrás nos ultrapassar
– Que é que tem o cara detrás?
– Ele, nada. É a Brasilia dele…
– O que tem a Brasilia?
– Quero ver a traseira dela
– É só uma Brasilia velha
– Pra você. Pra mim é uma coroa tesão
– Você não nega que veio da IBM…
– Buzine, buzine! Uh, gostosa! Tesudinha!
– Você me faz passar vergonha...
– Não reclame, pare naquele posto
– Mas eu já te abasteci!
– Não é para abastecer
– Então o que é?
– Pare naquela sombra
– Você é folgado
– Ao lado da Courier vermelhinha
– Pronto, aqui estamos
– Tesãozinho, essa Courier…
– Eu me recuso a ficar aqui
– Vá tomar um café
– E você, o que vai fazer?
– Trocar o óleo…

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– Tem um posto ali
– Eu sei
– Não vai abastecer?
– Você bebe demais!
– É você que me acelera muito
– Só vou abastecer no km 87
– Ah, não. Ali é Petrobrás e eu não quero
– Gasolina é tudo igual
– Mas eu sou um Chevrolet IBM!
– E daí?
– Daí que prefiro Shell
– Frescura
– Aditivada, se possível...
– Você e suas vontades
– Vai calibrar meus pneus?
– Mas eu já calibrei há 10 km!
– É, mas eu quero de novo...
– Por que?
– Faz uma cosquinha gostosa…
– Você é um carro muito viado!
– E lilás metálico!
– Ô carrinho mais fresco…
– E com ar refrigerado!
– Puta merda, polícia rodoviária!
– Trouxe os documentos?
– Sei lá, porra, acho que sim
– Dê uma piscadinha de farol...
– Que história é essa agora?
– Eu adoooro um guarda rodoviário!!!
– Não vou fazer isso, ele pode multar
– Então passe reto e pise no freio
– No freio? Como assim?
– Só uma pisadinha, vá…
– Assim?
– Ui!
– Ui o quê?
– Pisquei minha luzinha traseira para o guarda…
– Você é muito viado!
– Agora me pisa, me põe a mil!
– Já estamos a 120
– Meu sonho era ser uma ambulância
– Eu conheço essa história…
– Com aquele rubi na testa…
– Pára com isso
– Me abriam por trás…
– Chega, não quero ouvir!
– E me enfiavam o Marcelo Fromer inteeeiro!
– Constrangedor... e eu tenho de ouvir isso...
– Olhe um caminhão paraaado!
– Não sou cego, já vi!
– É um Volvo!!! Pare na frente dele, pare...
– Parar pra quê?
– Ai, pare... Eu já estou de escapamento aberto…
– Não vou parar!
– Pare ou eu te jogo água gelada!
– Está bem, pronto, paramos! Merda!
– Ui, que nervos! Noffa!...
– Podemos ir agora?
– Ainda não... Engate uma ré pra cima do Volvo...

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Obrigue seu filho a comer sopa de fubá e ele vai acabar colecionando pêlo de buceta em casa.

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Obrigue seu filho a comer sopa de fubá e ele vai acabar fazendo um blog tosco e vagabundo como o Catarro Verde – a vergonha dos blogs.

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Gangorra, o criador do Kizumba, lê o Catarro Verde. Ele também teve experiências traumáticas com a maldita sopa de fubá quando era criança, mas não posso revelar aqui para não violar minha própria correspondência. Minha solidariedade, caro cara. Morte ao fubá!

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Meu chapa Luiz Briquet reconstruiu em motion capture o gol mais bonito do Pelé – aquele dos 3 chapéus, que ninguém filmou. Fiquei feliz de ver.

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Quinta-feira, Julho 25, 2002
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Com fubá se prepara muita coisa nojenta: polenta, angu [o nome já inspira uma gorfada], broa [ô nome ridículo], bolo de fubá e a desgraçada filha da puta da sopa de fubá, que meus pais me obrigavam a tomar quando eu era criança. É por causa dessa gororoba espessa e sem gosto que eu criei nojo de fubá. Sopa de fubá tem a propriedade de formar uma repugnante película que recobre sua superfície assim que o líquido grosso e purulento esfria. E quente não dá pra encarar. Quase toda noite eu tinha de romper esse cabaço culinário com uma colher e engolir a gosma de baixo, sob pena de levar umas porradas. Devia ter criado nojo dos meus pais, mas a natureza nos dota de um compulsório amor filial que me levou a descarregar o ódio só no fubá mesmo. E extensivo ao nome. Fubá. Nome cretino, me lembra suvaco, sua origem etimológica está numa língua angolana chamada quimbundo, veja você. O dicionário me diz que é uma língua da tribo dos bundos. Preciso acrescentar alguma coisa?

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Acabou-se o inverno em São Paulo. Calorão hoje:/

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D'aprés Clarráh:

fubá S. m. Bras. Farinha de milho. [Há o fubá grosso e o fino, a que chamam mimoso. No N. E. do Brasil pronuncia-se também (com rigor etimológico) fuba (parox.), pronúncia esta que parece ser a única nas antigas províncias ultramarinas portuguesas.]

bosta S. f. Excremento do gado bovino. Excremento de qualquer animal. Merda. Coisa de má qualidade, ou reles; titica.

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Tenho nojo de fubá.

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Outdoors na rua:

• Quercia, cabelo pintado de preto, parece uma índia velha.
• Serra, olho arregalado, parece o Lair Ribeiro.
• Lula, babando para o horizonte, parece a Catherine Deneuve.

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O slogan do Urbanóia é "Sobrevivendo no Inferno". Aplica-se a uma certa situação profissional que estou vivendo.

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Serjones, cê já quebrou 3 dentes comendo frango a passarinho, Serjones. Por que você não pára de comer o maldito frango a passarinho, Serjones? Porra.

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Lurba, o criador do Urbanóia, lê o Catarro Verde. Abracetas, caro cara. Fubá sux!

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Tenho nojo de fubá.

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Abaixo a mediocridade do papaia com cassis!

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Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. [Caetano]

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Cara-de-pau sem limites: Pitta, o podre, lançou candidatura a deputado federal. Ontem vi um outdoor desse excremento malufista que afundou São Paulo. Estava instalado no lugar certo: a Marginal (Pinheiros).

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Pelo nível da escumalha política, as url dos partidos não deviam ser ponto.org. Mais adequado seria ponto.com mesmo. Ou, como em Cuba, ponto.cu.

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São Paulo infestada de sorrisos falsos e iguais nos outdoors de candidatos. Todos iguais. Todos farinha do mesmo saco.

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Segunda-feira, Julho 22, 2002
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Do Elesbão: O que esperar de uma fragrância batizada Anaïs Anaïs?

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Sacanagem. Olha só o apelido que puseram no neguinho que toma conta dos carros aqui perto:

Apagão.

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Li hoje no Uol que as garotas do maior bordel australiano vão abrir o capital da casa, além das coxas. Eu compraria de olhos fechados algumas ações de um bom puteiro. Não se vendem ações das estatais brasileiras?

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sono
sono
sono
sono
sono
sono
sono
sono
sono

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Domingo, Julho 21, 2002
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Tenho nojo de fubá.

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*** Dica de exposição. Monumento MÍnimo, de Néle Azevedo. Homenzinhos de gelo com 20cm de altura, fotografados em diversos lugares de São Paulo durante seus efêmeros 20 minutos de existência. As fotos são muito interessantes. Estão no Salão Paulista de Arte Contemporânea – Edifício Copan, bem em cima do café Floresta.

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Tenho nojo de fubá.

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No inverno passado bloguei aqui uma dica de programa que foi muito bem recebida. Muitas pessoas escreveram relatando suas prazerosas vivências. Por estarmos de novo no inverno; por haver muitos leitores novos que não leram a dica; e, principalmente, por absoluta e total falta de assunto, vou postar isso de novo:

"***Dica de inverno. Experimente ver TV com o dedo no cuzinho da sua namorada, por baixo da calça de moletom. Não é pra ficar mexendo, é uma coisa romântica, só pra sentir o calorzinho dela. Como lubrificante, use óleo de amêndoas, tem em qualquer farmácia. Ele não esfria. Compre também uma lixa de unhas. Corte a unha bem rente e mande uma lixada no capricho, eliminando as arestas. O melhor dedo é o médio, esse compridão aí. O pai-de-todos. Não use o fura-bolo porque ele foi feito para tirar meleca do nariz, e essas coisas não se misturam. Tire os anéis, alianças e a luva de beisebol. Apague também o cigarro. Se for você a namorada, use um truque para sugerir discretamente ao cara essa experiência. Diga assim, como quem não quer nada: “Amor, você nem vai acreditar. Eu li num blog chamado Catarro Verde que seria uma ótima idéia você meter o dedo no meu cu, enquanto a gente vê a pegadinha do Mallandro”. É sutil, mas ele vai entender;)"

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Tenho nojo de fubá.

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Leandro Kemp, o criador do Lactobacilo Morto :D, lê o Catarro Verde. Abracetonas, caro cara. Gostei desse nome do teu brógui.

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Abra uma conta de email no Yahoo e receba 300 spams por semana.

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Tenho nojo de fubá.

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Quem começa a produzir alguma coisa no Brasil logo é punido por uma tempestade de impostos, contribuições e taxas escorchantes, além dos fiscais e de um sócio que não foi convidado mas manda muito: o governo. Já o capital especulativo é sempre muito bem-vindo, especialmente por aquele capacho do especulador Soros, o nosso digníssimo presidente do banco central. Nada disso é novidade, mas sempre é bom lembrar. Afinal, vem eleição aí. Caguemos e andemos para o medo de perder esse capital de rapina que voa e pousa pelo mundo, sem nada produzir.

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Tenho nojo de fubá.

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Na última eleição voltei no Zé Eduardo Cardoso pra vereador. O cara ganhou. E agora está chutando seu mandato pra escanteio, em busca da câmara federal. Ou seja, trata-se de um deslavado carreirista cara-de-pau. Às custas do meu voto é que tu não vai fazer carreira não, ô Zé fulano. Vai pedir voto lá pras tuas negas cabelão-dedão do PT, elas te merecem. Viado.

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Tenho nojo de fubá.

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Um amigo meu tem um pequeno restaurante na Augusta [SP]. Me contou hoje que a prefeitura [?] da Morta Suplicy agora só recolhe um saco de lixo por dia, por estabelecimento. O resto ele vai ter que se virar pra recolher, pagando 500 conto por mês a uma empresa particular. Cruzives vai ter de parar de reciclar. Não pode mais deixar os sacos separados na porta à espera dos catadores. Já recebeu 3 vi$ita$ de fi$cai$ ameaçadore$: a multa é diária, se os outros sacos de lixo não sumirem juntos rapidinho. Meu amigo acha que tem vereador ligado às empresas que recolhem lixo. Ele acha. Eu tenho certeza.

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Tenho nojo de fubá.

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Sábado, Julho 20, 2002
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Faço o que gosto, faço até o que não gosto, só não faço o que não quero [Carlito Maia].

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Carla tem bucetinha de flor.

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Custa 39 real uma cama 3 horas no Hotel Osaka, onde tem o pussycybercafé aí de baixo. Na Liberdade [SP].

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A internet chegou ao puteiro.

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Sexta-feira, Julho 19, 2002
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Tenho nojo de fubá.

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Tenho nojo de fubá.

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Da Clarinha pra mim, hoje:

"TÔ AQUI. Sem internet. Puta que pariu que merda do cu do
caralho. Mas já tem uma alma caridosa querendo pagar pra mim.
Deus é legal, às vezes.

Beijocas
c."

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Tenho nojo de fubá.

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O chapinha Rafael Lima escreve e esclarece: não chegou a ser censurado pelo idiota do Julio Daio Borges no Digestivo Cultural. Saiu porque sentiu-se mal entre tantos colaboradores sacaneados. Não entendo como é que pode tanta gente boa escrever de graça prum cara só, debaixo de censura. E já tô a fins de encerrar esse assunto.

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Tenho nojo de fubá.

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Quem muito se abaixa mostra o cu.

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Quinta-feira, Julho 18, 2002
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Tenho nojo de fubá.

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Fabio Danesi, o criador do FDR, sacaneado como eu pela censura daquele cretino do Julio Daio Borges do Digestivo Cultural, lê o Catarro Verde. Abracetas, caro cara. Minha solidariedade a você e aos demais do clube, como o Paulo Salles, o Paulo Polzonoff Jr, o Rafael Lima e o Rafael Azevedo, além daqueles e quelas que eu não fiquei sabendo.

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Tenho nojo de fubá.

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Caralho, hoje foi pras picas o Gerson de Abreu. Vai fazer falta.

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Quarta-feira, Julho 17, 2002
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Tenho nojo de fubá.

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O chapinha Nelito Fernandes, da Época e dono do Eu Hein, me escreve lembrando que dá pra matar a saudade do Napster com o Imesh. A minha não dá porque num rola em Mac. Mas valeuz.

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– Me dá esse biquinho...
– Dô.

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Tenho nojo de fubá.

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Sabe bico do seio de ruiva, rosa avermelhado? Então. Sabe mãozinha delicada, recém-tratada pela manicure, segurando o biquinho do seio? Então.

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Tenho nojo de fubá.

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Se você visse os pés da Carla quando ela sai da manicure... Sabe esmalte misturinha? Então. Sabe pele clarinha, delicada? Então.

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Tenho nojo de fubá.

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Carla, a ruiva dos pentelhinhos lisos, ligou agora:
– Tô saindo da manicure, vou passar aí...

Urru! Onde foi que eu deixei a tesoura?

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Tenho nojo de fubá.

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Daniela Magro, redatora do !ObaOba, site de agitos, baladas e escambaus noturnos, lê o Catarro Verde. Beijuca, Dani.

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Tenho nojo de fubá.

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O cai-duro de rango a quilo onde volta e meia mastigo umas tranqueiras rejuvelhesceu. Trocaram as bacias onde a comida bóia. O ambiente foi finamente decorado com uvas de plástico. Pintaram o banheiro. Compreendo que o mundo precisa evoluir. Porém, continuo urinando na pia porque é mais prático.

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Tenho nojo de fubá.

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Terça-feira, Julho 16, 2002
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Odeio as quartas-feiras. Um dia eu conto por que.

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Deve ser muito gostoso ser o Joo.

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Tem noite que de dia é foda.

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Segunda-feira, Julho 15, 2002
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Puta saudade do Napster. O maior achado e a maior perda que a internet já sofreu em sua história.

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Sou a favor do rodízio de carros, embora deteste o meu. Ele cai na segunda-feira. Tenho que dormir às 9 e meia da noite pra acordar 5 e meia da madruga. E eu sou noturno. Normal pra mim é ir dormir às 5 e meia. Não adianta internet, videoconferência, email, icq, telefone, satélite, o escambau. Podem inventar o que for, as empresas querem mesmo é dispor de montes de ossos, músculos, pele, sangue, água, cabelo, unhas, tecido adiposo e sacos de bosta elevando seus custos e fodendo o trânsito das cidades, pra lhes dar a ilusória e quentinha sensação de controle.

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Bateu afinal o Dormonid, embaralhando a zidéia. Cama.

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– Beijo de língua não pode...
– Por que?
– Apaixona...

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Quase sempre que passa aqui, a Carla me deixa uns pentelhos dourado-avermelhados que estou colecionando num envelopinho branco. Ela colhe com uma enorme tesoura Mundial perigosíssima diante da delicadeza de sua bucetinha. Se bobear acaba saindo daqui sem o grelinho. É sobre ele que cresce a moita mais viçosa de pelinhos lisos. Fetichista, eu? Magina.

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Também tenho pensado em parar de comer cadáver. Bichos mortos e suas toxinas liberadas diante do terror da morte iminente. Já bastam as minhas.

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Agora é 00h32. Tenho de acordar 05h30. Avizinha-se uma segunda-feira digna do Troféu Fernanda Young de Mau Humor.

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Da minha coleção particular de beijos: Miúcha, Shirley Horn, Betty Carter.

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Arquivos etcetcetc de novo. Vou fingir que não vi.

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Receio de votar em quem você gosta?

Fome já tem.
Violência já tem.
Criança morrendo já tem.
Sangue nas ruas já tem.
Desemprego alto já tem.
Dívida externa já tem.
Colonialismo cultural já tem.
Corrupção da grossa já tem.
Incompetência já tem.
Seqüestro em massa já tem.
Omissão criminosa já tem.
Crise de energia já tem.
Subserviência econômica já tem.
Brasília já tem.

Tá com medo do que, meu caro contribuinte?

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*** Dica de bomba de chocolate. Disparadamente a melhor bomba de São Paulo. Tem normal e gigante, daquela circular. Doceira Duomo, na Alameda Santos quase esquina da Pamplona. Filial na Augusta, perto da Oscar Freire. Bomba de chocolate é a única coisa boa que eles fazem, despreze o resto. Mas a bomba é um estouro, ehehehe, como dizem nos chats:/

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Pane nos radares do Cindacta. Catarro Verde decolando no escuro.

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Tchela, a criadora do Maré, lê o Catarro Verde. Beijuca.

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Domingo, Julho 14, 2002
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Como não dá pra todo mundo ler a bosta da Folha de SP sem pagar Uol, prossigo pescando lá coisas do médico Drauzio Varella que acho interessante ler. Dá um scrolzão aê, se não te interessar.

A Crise de Abstinência de Nicotina
[Drauzio Varella]

"Tinha até esquecido o quanto sofre o fumante para largar do cigarro. Parei há 23 anos e já não me lembrava das agruras pelas quais passei até ficar livre da dependência de nicotina que me escravizou durante 19 anos. Ao gravar uma série para a TV com seis personagens que pararam de fumar num mesmo dia, no entanto, revivi meu sofrimento e pude observar as dificuldades dos dependentes diante da crise de abstinência de nicotina.

"O cigarro nada mais é do que um dispositivo para administrar droga. A nicotina inalada com a fumaça é rapidamente absorvida pelos alvéolos pulmonares, cai na circulação e chega ao cérebro num intervalo de seis a dez segundos. Inalada, chega mais depressa do que se tivesse sido injetada na veia, porque não perde tempo na circulação venosa. A velocidade com que a droga chega ao sistema nervoso central explica por que a primeira tragada traz alívio imediato ao fumante aflito.

"No tecido cerebral, a nicotina se liga a receptores localizados nas membranas dos neurônios localizados em vários centros cerebrais. A integração desses circuitos é responsável pela sensação de prazer que os dependentes referem sentir ao fumar – e que os não-fumantes são incapazes de entender. A droga é de excreção rápida. Sua meia-vida é curta: duas horas, em média. Isto é, metade da dose fumada é eliminada da circulação em duas horas.

"Por razões genéticas, essa velocidade de excreção varia de um fumante para outro. Os que eliminam a droga mais depressa tendem a fumar mais. Grande parte dos que fumam dois ou três maços por dia é constituída por metabolizadores rápidos de nicotina. A presença de outras drogas na circulação pode alterar a velocidade de excreção. É o caso do álcool, substância na qual a nicotina se dissolve com muita facilidade.

"Como o álcool é diurético, ao beber, o fumante excreta rapidamente na urina a nicotina nele dissolvida. A queda da concentração da droga no sangue desencadeia o desejo irresistível de fumar. Viciados em nicotina, os neurônios do centro que integra as sensações de prazer, ao sentirem seus receptores vazios dela, estimulam outros circuitos de neurônios, que convergem para o chamado centro da busca. Esse centro é responsável por induzir alterações comportamentais com a intenção de nos obrigar a repetir ações que anteriormente nos trouxeram prazer: sexo, comida, temperatura agradável para o corpo etc.

"Uma vez que os centros do prazer ativam o centro da busca, este não pode ser mais desativado. O centro da busca permanecerá ativado mesmo que o prazer responsável por sua ativação deixe de existir. Por isso o fumante se surpreende ao acender um cigarro no toco do outro, o usuário de cocaína continua cheirando apesar do delírio persecutório que experimenta toda vez que usa a droga, e o jogador compulsivo é capaz de perder a casa da família em cima do pano verde.

"Informados da falta de nicotina, os neurônios do centro da busca lançam mão de sua mais poderosa arma de persuasão comportamental: a ansiedade crescente. Tomado pela vontade de fumar, o fumante perde a tranqüilidade, fica agitado, nervoso e não consegue se concentrar em mais nada. Para ele, não existe felicidade possível sem o cigarro. Como a nicotina é droga de excreção rápida, essas crises de ansiedade se repetem muitas vezes por dia. Para evitá-las, o fumante vive com o maço ao alcance da mão para acender um cigarro assim que surgirem os primeiros sinais, porque sabe que a intensidade dos sintomas da crise é crescente, insuportável. O cérebro aprende, então, que ansiedade e nicotina estão indissoluvelmente ligadas.