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CATARRO VERDE

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ASSIM É, SE LHE PARECE.

[Pirandello]



BLOG MAL E PORCAMENTE
ESCRITO DESDE 2001 POR SERGIO FARIA,
GINECO-PROCTOLOGISTA AMADOR,
ADVENTISTA DO 7º DÍGITO,
TRESBESTERIANO E DEVOTO
DE SANTA IGNORÂNCIA.

MELHOR VISUALIZADO
POR QUEM NÃO É CEGO.







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Primeira lição
de informática:

software é aquilo
que você xinga,

hardware é aquilo
que você chuta
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Sábado, Janeiro 31, 2004
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Angeli dia 29 na Falha de S. Paulo:



Quer experimentar catarro na virilha, minha nega?

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Continua uma puta zona o tráfego de emails pela rede. Uns 40 por dia despencando aqui, sem lenço e sem documento. Tudo produto de vírus.

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Caralho, desabou uma parte do Center Norte! Tempestade feia em São Paulo, alagamentos, estado de atenção, o escambau. O ministério público, ou sei lá o quê, precisa obrigar as TVs a dar o nome do shopping quando acontece merda. Os telejornais só dizem "num shopping de São Paulo". Isto se aproxima do crime de imprensa, porque alarma a população. E se alguém da tua família freqüenta shopping no fim de semana – o que não é difícil? Tô aqui deduzindo que o desabamento foi no Center Norte porque o Globonews noticiou "no maior shopping da Zona Norte". Cretinos.

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Sexta-feira, Janeiro 30, 2004
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Dor. Molar fraturado. Dor. Dentista de folga na sexta. Dor. Valei-me, São Tylenol. Ajudai-me, Santa Dipirona. Atendei-me, Santa Sedalene. O fim de semana promete. Promete ser uma merda.

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Trabalha, trabalha, nêgo.
Tributa, tributa, Lula.

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Por causa de uns posts aê, me chamaram de ranzinza. Ranzinza o cu.

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Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
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Tá de volta o blog do Otto. Agora com pitacos da Frida. Assim disse o Otto para a Frida, logo na chegada: "Você pra mim é problema seu!" :D Pra quem não sabe, os dois são bulldogs.

E a Giovanna manda avisar que sabe quem tem um blog? Sabe quem? Ninguém menos que a Graziella Moretto! Ulha!

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Só tem doido. Tava me divertindo no site do Inri Cristo. Tem domínio ponto-org, e foi feito pelo Movimento Eclético Pró Inri Cristo - MÉPIC. Alguém colocou o acento providencial na sigla, o que deixa o troço ainda mais engraçado. Me lembrou o velho chá de mípica. Ou de minhápica, como queira.

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Exclamação. A Cris Lagartinha Azul não parou de blogar! Depois de tantas mudanças, ela está no Mon Coeur Vomit, escrevendo gostoso como sempre. Só que agora já se formou dotôra médica. E até ontem cuidava dos fudidos e mal pagos num posto de saúde do interior de Pernambuco. O que mexeu com seu estilo de texto, porque mexeu muito com ela. Fiquei feliz de reencontrá-la. Encontre-a você também. Figurinha humana da melhor qualidade.

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Terça-feira, Janeiro 27, 2004
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Scarlett Johansson. Contracena com o insuportável personagem Japão, sem que o filme perca sua delicadeza. Leve um pacotinho de lenços. Pode sentar uma Larissa ao seu lado.


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Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
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Se liga. O rodízio voltou. As eleições vêm aí e Martaxa tem que faturar. Daí que agora os marronzinhos estão autorizados a multar também Zona Azul. As moças da Zona Azul podem multar também o que os marronzinhos multam. Os policiais militares podem multar tudo que ambos multam. Um dia cada um de nós, cidadãos, terá um talão de multa no bolso e poderemos nos multar à vontade. Inimigos, cunhados, vizinhos chatos, sogras, chefes, síndicos, ruminantes de pipoca em cinema, políticos, o escambau. Tascaremos multas alucinadamente adoidados, uns nos outros. Eu, particularmente, começarei pelo marido da Ana Hickmann.

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Domingo, Janeiro 25, 2004
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Pronto. Já faz 2 minutos que é aniversário de São Paulo. Dá pra mudar de assunto?

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Sábado, Janeiro 24, 2004
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Fala, Japinha:

"Você percebe o quanto se sente bem com alguém quando é capaz de permanecer calado sem sentir o incômodo dos silêncios desconfortáveis, e o filme de Sofia Coppola traduz com felicidade esses instantes."

Falou, Japinha.

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Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
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Psiu! Ei, Daniela Mercury... uma perguntinha... só aqui entre nós... por que você não morre?

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Chega de falar em 450 anos!!! Não agüento mais!!!

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Quê?! Dia 25 vai ter uma parada com 31 trios elétricos, comandada pela Daniela Mercury? Só se for parada cardíaca.

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Para desespero da vizinhança, prosseguem os testes de som e luz do "presente" que o grupo Pão de Açúcar "deu" a São Paulo: a fonte jeca do Ibirapuera. O Condephat não conseguiu impedir que o mondrongo circense fosse instalado no lago do parque. É circense mesmo. Só tem breguice igual no Circo Orlando Orfei e no Stankovich. Quanto a ser um presente, é mentira. Pagamos por essa merda cada vez que a família Diniz nos rouba no caixa do supermercado. Além do que, toda "doação" implica barganha de impostos. De quanto foi?

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Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
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Pimentas descaradamente roubadas do Kazi, que as surpreendeu no Mercadão de São Paulo. Adoro pimentas. Cada uma com seu cheiro, seu sabor, seu ardume, sua forma, sua cor. Essas são dedo-de-moça. De moça que tem o tempero essencial, claro: pimenta.

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Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
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A que ponto a merda chegou: spam oferecendo "blogs por encomenda, com a imagem, cores e tudo mais, personalizados, a partir de R$ 15." Só não inclui registro no serviço funerário da prefeitura.

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Quem PT viu, quem PT vê. Agora o Zé Genoino também quer amordaçar o Ministério Público, como pretende o Zé Dirceu. Grandes caras-de-pau, assim como o advogado-deputado [ex-caso Lubeca] Luiz Eduardo Greenhalg. Foi só os promotores mexerem no caso Celso Daniel – encoberto pelo PT há dois anos – e que agora dispõe como testa-de-ferro na TV a ex-"mulher" do prefeito morto, e a casa pegou fogo. É neguinho correndo da sala pra cozinha para apagar o incêndio. Tudo farinha do mesmo saco. Ou da mesma caixinha.

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Terça-feira, Janeiro 20, 2004
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Já leu a entrevista do Antônio Nóbrega na última Caros Amigos? Não sabe o que está perdendo. Antônio Nóbrega é o cara. Sempre foi.

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Corra, não pare, não pense demais
Repare essas velas no cais
Que a vida é cigana
É caravana

[Alceu Valença e Geraldo Azevedo, em Caravana. Pra bom entendedor uma estrofe basta.]

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Blog é uma coisa tão morta, mas tão morta, que daqui a pouco a gente vai ter que mandar requerimento ao serviço funerário da prefeitura pra manter um.

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Rap brasileiro = merda.

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O Rodrigo me conta do site que ele fez com o Jean sabe pra quem? O Evandro Mesquita e sua Blitz. Arlindo Orlando está lá, de farol baixo e pára-choque duro. E tem blog.

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Fudido, não-pago e mal acompanhado. É pouco?

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Sexta, sábado, domingo, segunda e terça. Cinco dias chatos, um atrás do outro, preciso tomar um banho de cachoeira.

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Quinta-feira, Janeiro 15, 2004
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Caralho, a milhar do gringo não deu nada. Joguei fora 5 real. Nunca mais viajo pela companhia desse filhadaputa.

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Meu chapinha Alberto Carne Crua fotografou esse prédio salpicado de reflexos do Palácio da Carambola. O prédio até que é sortudo, recebe apenas um efeito-brotoeja. O Alberto conhece a casa de um amigo, mais próxima da torre japajeca, onde "certas tardes são roxas". Da minha parte, deixei de ir à Fnac Pinheiros pra não ser agredido pela grotesca visão da torre. Troquei pela Fnac Paulista. De agressão visual já me basta o dragão Nair, minha síndica.

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Maldição de Murphy: é só dar sign out no blog e me vem um assunto pra escrever.

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No terceiro ano do Catarro, dois agradecimentos especiais. Ao amigo de fé Ale Winston Abav, que um dia me fez uma surpresa e pagou para o Blogger retirar daqui seu banner de publicidade. Estou reproduzindo, sem pedir autorização, essa gravura que ele criou e recomendo visitar com calma e tempo o blog que ele mantém: Liasons. Para a minha amiga de fé Rossana Fischer, criadora e agitadora do Wumanity e suas campanhas, mais um beijo de agradecimento por ter recuperado todos os arquivos do Catarro. E pela atenção imediata que sempre dedica à minha ignorância tosconológica. É o anjo da guarda do Catarro Verde.

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Vou jogar nesse milhar. Ontem não saiu.


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Quarta-feira, Janeiro 14, 2004
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Se liga no novo endereço do Piores Blogs.

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Me contaram um dia desses. O carnavalesco Ohtakinho Trinta está invadindo pela janela as casas da zona oeste paulistana. É que o sol bate na torre japajeca espelhada do Palácio da Carambola, e os vizinhos são forçados a conviver com o reflexo dentro de casa. Você vê a cor: rosa anal arroxeado. Se eu morasse ali perto, ia me queixar na Al Qaeda.

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Terça-feira, Janeiro 13, 2004
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Hoje o Catarro Verde faz 3 anos. Parabéns, Catarro.

– Obrigado.

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Segunda-feira, Janeiro 12, 2004
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Claro. Quase todo mundo na bilheteria pedindo ingresso para "o vinte e uma gramas". Assim como compram perfume na Contém Uma Grama e pedem "duzentas gramas" de presunto no supermercado. É o que nos sobrou da ditadura militar. Um país de semi-anarfas educados por professores fudidos, mal pagos e semi-anarfas também. Todos, evidentemente, agora chancelados pelo presidente anarfa. Educação? Ora, o hómi num chegou lá sem falar purtugueis? Num vive repitino isso, estimulano nóis? Intonce.

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21 Gramas é ótimo. O cara é foda nas manhas de narrar uma história banal.

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Sábado, Janeiro 10, 2004
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Bem que eu não devia ir ao cinema hoje. Disseminar a minha gripe tuberculosa. Mas vou. Não posso perder 21 Gramas. Está no poster: é o peso que o ser humano perde no instante da morte. 21 gramas. O que será que pesa 21 gramas ninóis todos? O último suspiro? O espírito? Dava um bom nome de botequim perto de cemitério: 21 Gramas. Enfim. Vou ver o filme. Se você for e ouvir alguém tossindo em direção aos ruminantes de pipoca, não tenha dúvida: sou eu.

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Pelo menos em São Paulo, 2004 tem sido uma exuberância de mau gosto a cada dia que passa. Um dia mais feio que o outro. Ontem, puta que pariu, foi mais feio que bater em mãe. Hoje paresque melhorou. Toma jeito, 2004. Não podemos dar-lhe um pé na bunda, mas podemos xingá-lo e até difamá-lo dizendo que você, tão novinho, já dá o cu.

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Há um blogueiro spamzeiro que sempre envia por email seu post mais recente. O cara se chama Alexandre Cruz Almeida. Sem link, porque nunca linko spamzeiros, seja lá o que estejam vendendo. O Alexandre é também um caga-regras contumaz. Seu último spam qualifica a reciprocidade brasileira aos viajantes norte-americanos como "única e exclusivamente pirraça e criancice para espezinhar outro país". Pou-ra!

Não fosse apenas babaquice americanófila, essa é uma afirmação ignorante. A reciprocidade de tratamento entre o Brasil e outros países é um princípio constitucional. Se a Polícia Federal não o cumprisse, cometeria crime de responsabilidade. A Constituição gringa também o estabelece. E não é justo? A esse respeito, reproduzo artigo publicado na Folha de S. Paulo, e assinado pelo advogado Walter Ceneviva:

"DEAR GENERAL POWELL, IT IS THE RECIPROCITY"
[Artigo de Walter Ceneviva]

A identificação imposta a cidadãos americanos ao chegarem ao Brasil, fotografados e tiradas suas impressões digitais (é "tocar piano", na gíria policial), tem despertado muita atenção na mídia. Até o secretário Powell reclamou. O Direito mostra, porém, que não há razão para o escândalo. Muito antes de a Constituição de 1988 ter incluído entre os princípios dominantes de suas relações internacionais o da igualdade entre países e o da cooperação entre povos para o bem da humanidade, já predominava, como critério desse relacionamento, o princípio da reciprocidade, isto é, o Brasil deve tratar os outros como eles nos tratam.

Em 1988, o conceito foi reforçado em relação aos portugueses. A exceção se explica pelo fato de que este país gigante teve a criação original de nossos irmãos lusos. Diz o artigo 12 da Carta Magna, em seu parágrafo 1º: "Aos portugueses com residência permanente no país, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro". A aplicação de tais preceitos decorre do princípio da soberania, isto é, o de decidir as questões internas segundo suas próprias leis, por seus próprios juízes. Há nações que, sob inspiração de interesses econômicos ou de força militar, aceitam o desequilíbrio do tratamento. Em nosso país, o presidente da República que aceite tal desequilíbrio cometerá crime de responsabilidade (artigo 85 e seu inciso VII da Constituição).

Em matéria de relações internacionais, quanto ao acesso de estrangeiros, o atendimento recíproco é a regra. Há algum tempo, a França passou a exigir visto de entrada e permanência para brasileiros. O Brasil também criou a exigência e desistiu dela quando os franceses a dispensaram. Talvez muitos cidadãos dos Estados Unidos não saibam que a reciprocidade também integra o sistema legal americano-do-norte. David Melinkoff, professor emérito de direito na Universidade da Califórnia (Los Angeles), define "reciprocity" em seu "Dictionary of American Legal Usage" (West Publishing Co., 1992).

Está nessa obra, conforme o original, que a reciprocidade se aplica "between states of the United States or between nations: extending to the citizens of another state or nation privileges or benefits which that state or nation extends to our citizens". Em tradução livre: "Reciprocidade entre Estados dos Estados Unidos ou entre nações: estender a cidadãos de outro Estado ou nação privilégios ou benefícios que aquele Estado ou nação estende a nossos cidadãos". Ou, como resultado lógico, exclui cidadãos de tais privilégios ou benefícios.

Os Estados Unidos, no uso legítimo de sua soberania, embora sob argumentos que parecem absurdos ante nenhuma ameaça dos brasileiros à nação amiga, excluíram da exigência de fotografia e de identificação digital cidadãos de quase três dezenas de países, mas não os nossos patrícios. Fomos lançados na vala comum dos que podem ameaçar o gigante americano. Um juiz brasileiro – pouco importante neste momento saber se processualmente competente ou não – impôs a mesma exigência a cidadãos estadunidenses chegados ao território nacional. Nada mais justo. Quando o secretário de Estado estranhou, o ministro Celso Amorim, no melhor estilo convivial moderno, deve ter dito: "General Powell, it is the reciprocity, my dear friend". Ou seja: "É a reciprocidade, meu caro amigo". Melhor que isso só se o secretário de Estado se dispuser a ler a lei. De lá e de cá.


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Quinta-feira, Janeiro 08, 2004
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Novas instruções para viajar ao Brasil, segundo o Departamento de Estado norte-americano.

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Marina, minha doce amiga carinhoca, obrigado pelo teu post do dia 5. Não mereço, fiquei feliz porque veio de você.

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Meu considerado Inagaki selecionou, entre os seus melhores de 2003, o Sonho de Valsa Branco. Acho esse bombom uma heresia. Inaguinha, meu caro cara, se não impusermos uma certa intransigência, amanhã os gringos da Lacta inventam o Sonho de Valsa de blueberry. São os mesmos hereges que enfiaram laranja no Bis, depois de também lançarem sua gosmenta versão branca.

Aproveitando: pra quem não sabe, onde se lê Lacta leia-se Kraft Foods. E onde se lê Kraft Foods, leia-se RJ Reynolds, traficante internacional de nicotina. Que, entre outros docinhos para o público-alvo adolescente, fabrica Malrboro e Camel.

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Terça-feira, Janeiro 06, 2004
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Civetas? Porra, eu ia morrendo sem saber que esse bicho existe? Chinês come civeta. Bom, chinês come qualquer coisa, inclusive chinesa.

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Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
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Continua tartarugando entre os inúteis de Brasilia o "novo modelo" de cobrança pelo acesso à internet, em consulta pública desde o governo FHC. Enquanto isso, o contribuinte que tem conexão discada vai pagando preço de voz para trafegar dados. Bovinamente.

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Domingo, Janeiro 04, 2004
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Exame de fezes. Os caras mandam colocar o material rapidinho num frasco de conservante e levar imediatamente ao laboratório. Estranho mundo, este. Até merda estraga.

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Amanhã a Martaxa inicia grandes mudanças no trânsito de São Paulo. Ó Senhor, concedei-nos que a cagada não seja grande. Já pagamos nossos pecados em 2003 e temos crédito em Vosso caixa, não esquecei. Contabilizai direitinho. Amém.

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Sou contra as medidas de reciprocidade adotadas na chegada dos norte-americanos ao Brasil: são muito suaves. Só fotografar e colher impressões digitais não basta. Falta deixar os gringos esperando na fila, debaixo de sol, chuva, arrogância e má vontade, pra receber visto nos consulados brasileiros. Reciprocidade não tem meio-termo. Ou é ou não é.

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Pesquisa Datafolha: só 24% da população estão satisfeitos com os senadores e deputados federais nos quais votaram. Vai ver, esses 24% residem na zona eleitoral do baixo meretrício. Mães corujas.

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DE TODAS AS MANEIRAS
[Chico Buarque]

De todas as maneiras
Que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora
Tá lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

De todas as maneiras que há de amar
Já nos machucamos
Com todas as palavras feitas pra humilhar
Nos afagamos
Agora já passa da hora
Tá lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

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Sexta-feira, Janeiro 02, 2004
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2004 acabou de começar pra mim.

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