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CATARRO VERDE

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ASSIM É, SE LHE PARECE.

[Pirandello]



BLOG MAL E PORCAMENTE
ESCRITO DESDE 2001 POR SERGIO FARIA,
GINECO-PROCTOLOGISTA AMADOR,
ADVENTISTA DO 7º DÍGITO,
TRESBESTERIANO E DEVOTO
DE SANTA IGNORÂNCIA.

MELHOR VISUALIZADO
POR QUEM NÃO É CEGO.







COMENTAR?



Primeira lição
de informática:

software é aquilo
que você xinga,

hardware é aquilo
que você chuta
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Terça-feira, Março 30, 2004
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PROBLEMAS AQUI.

A GENTE SE VÊ DE NOVO
DIA 5 DE ABRIL, PODE SER?

VALEU.

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Sábado, Março 27, 2004
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Serjones, isto são ordens: faça a barba, tome um banho, capriche na cueca e na roupa – você nunca sabe quando vai cruzar [hã?] com uma bela mulher, troque esse velho tênis por uma bota, passe perfume no cangote, mande um rolão no suvaco e Rua! No mínimo há 2 filmes novos, um deles à meia-noite. Go! Go! Go!

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Tinha uma tabacaria aqui perto, lugarzinho discreto, bom de se abrir os trabalhos com mulher, se me entende. O café de máquina custava 1 real e era ótimo. Agora o dono reformou tudo, miscigenou a casa em estabelecimento que é bar, tabacaria, café, pub, sanduicheria, ou seja, nada. Lá se foi a privacidade. E o café passou a custar R$ 1,80. Descobri hoje. Quando estranhei o preço, a balconista me mostrou a grife estampada na nova xícara: Fazenda Águas Claras. Com logomarca e tudo, no lado de dentro, que é mais chique. Ora, eu conheço essa fazenda até o último pé de café a mais de mil metros de altitude, em Itapira [SP]. O que ela produz não passa de um café medíocre, no sentido de média. Se você colocar numa embalagem de Café Pilão, Caboclo, Pelé, dá na mesma. No entanto agora está lá todo bacana, com seu marketing à brasileira, coisa que bem traduzida significa enganação. Escrevo tudo isso para contar a justificativa final que a balconista me apresentou com ar de entendedora:

– É que os grões são selecionados.

Tudo bem, não se fala mais nisso. Quem sou eu pra discutir um argumento desses?

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O povo é ingrato quando fala que o Lula não investe na educação. Olha aí uma das novas escolas do governo dele:



[Valeu a foto, Gustavo.]

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Sexta-feira, Março 26, 2004
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São Francisco, me dá uma força?
Já me arrependi muito de ter quebrado
aquele preceito.



Oração de São Francisco

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve a união
Onde houver dúvida, que eu leve a fé
Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
Onde houver trevas, que eu leve a luz
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive para a vida eterna

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"Na boceta é excitante, no cu é delirante..."
[Palavras da Turquinha, quando ainda fodíamos.]

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Quinta-feira, Março 25, 2004
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* Dica de filme brasileiro 1. Narradores de Javé. Vá, é uma delícia. Tem o cheiro, as cores e as emoções dos confins empoeirados do Brasil. E tem o Nelson Xavier, precisava mais? Tem mais: o José Dumont no papel principal. Ele e seus improvisos, suas falas sacadas na hora das filmagens. Trilha sonora encantadora. Você já deve saber de tudo isso. Eu é que demorei muito pra assistir e comentar. Dê uma olhada no site, que é muito bom. Tem até blog.

* Dica de filme brasileiro 2. 1,99. Um supermercado que vende palavras. Não vá, é uma merda. Filme pretensioso, chato, criativoso, burro e metido a inteligente. Se não desse raiva pelo dinheiro do ingresso atirado no lixo, daria pena. E não assaltaram só a platéia, mas um porrilhão de patrocinadores. Um desserviço prestado ao cinema brasileiro. Porque reforça o preconceito contra. Até a trilha, que tem uma parte do talentoso André Abu, é uma completa bosta.

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Estava pensando: caralho. O que explica um ser humano pedalar horas a fio numa academia para não chegar a lugar algum? Ou correr sei lá quantos quilômetros numa esteira para, ao descer dali, descobrir que se encontra exatamente no mesmo lugar? E no fim do mês ainda pagar por isso? Embora eu não seja do ramo, a explicação só pode ser psiquiátrica. Essas pessoas são adictas de endorfinas. Se você amarrar uma delas numa cadeira, ela começa com rubor facial, tremores, sua frio, sente palpitações, avança para convulsões, entra em estado catatônico, evolui para o coma e bate as botas. De morte matada. Vítima do próprio cérebro, que lhe diz antes do momento final: "A endorfina ou a vida". E se auto-extingue, utilizando uma região cerebral ainda não estudada pelos cientistas. Na falta de tempo ou dinheiro para a academia, a pessoa arruma um cachorro. E todo dia caminha horas e horas "no ritmo dele" em volta do quarteirão. "Tadinho, ele precisa tanto". Conversa. É o dono que precisa. A coleira está no cachorro para disfarçar. É o animal que tira o dono da cama para levá-lo a suar, maltratar tendões e ligamentos, desgastar as articulações. Ninguém me contou, eu já vi. Adictos. Ou viciados, como se dizia nos tempos politicamente incorretos. Não entendo de química, mas, conhecendo os laboratórios, tenho certeza de que logo teremos endorfinas sintéticas na farmácia. Quer dizer, teremos não. Alto lá. Terão. Eles terão. E aqueles que não puderem comprar contarão com o apoio dos EA. Endorfinômanos Anônimos. Sem os 12 passos, senão eles correm.

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O meu chapinha Magiozal está indignado com a conversão da pena do motoboy que atropelou e matou o Marcelo Fromer. Eram 3 anos + 4 meses, que a juíza transformou em prestação de serviços comunitários. Pois eu achei justo. Pra que socar na cadeia esse motoboy? Pra ter na rua mais um bandido treinado, daqui a 3 anos e 4 meses? E tem mais, já escrevi sobre isso: cansei de passar de carro sobre a mancha de sangue do Marcelo Fromer, que ninguém limpou. Passei inclusive no mesmo horário em que ele foi atropelado. O sangue estava a menos de 5 metros da faixa de pedestres. Olha. Seja o Marcelo Fromer, seja quem for: atravessar a Avenida Europa correndo fora da faixa, no horário escuro em que ele atravessou, é pedir pra morrer. Aquilo foi suicídio. E eu tenho pena do azarado motoboy. Só.

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Acabo de receber um spam com o título "Notícias do Senador Aelton Freitas". Spam com layout caprichadinho, a foto do sujeito sorrindo com cara de cu, tudo assinado por ele e sua "assessoria de imprensa" [essa praga que os jornalistas inventaram pra ganhar dinheiro enfiando nos jornais notícias que interessam aos seus "clientes"]. Respondi educadamente ao senador:

Senador Freitas,

Pare de me mandar suas merdas.
Não estou interessado. Quero que Vossa Excelência,
sua assessoria de imprensa anti-ética, Minas Gerais
e seu spam vão pra puta que os pariu.

Vá encher a caixa postal alheia na casa do caralho.

Sergio Faria




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Quarta-feira, Março 24, 2004
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Foi fácil sair daquela sala? Então saia dessas doze.

[Valeu, Marquinhos. Valeu, Tho.]

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A Renatinha me escreveu direto do bunker em Jerusalém, onde lê o Catarro Verde. Aquilo lá tá pior que briga de foice em quarto escuro com sebo passado no chão. Mesmo faltando só uma semana para o Pessach. Sai daí, Renatinha. Vembora.

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É, Zé Dirceu. Te avisei em outubro do ano passado que o poder embriaga. E cu de bêbado não tem dono.

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[Essa foi o Ulisses que fotografou. Valeu.]

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Placas, placas, placas. A Clarice [que mistérios tem Clarice?] acabou de me mandar: um site especializado em placas engraçadas. Valeu, Clarice. Beijuca.

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Estou proibido de beber. Terminantemente. O problema é que eu não bebia há muitos anos. E justo agora que redescubro o prazer de uma cerva, vem a médica e corta. Desconfio que ela esteve espreitando meses a fio, tipo "quando esse filho-da-puta descobrir o que andou perdendo eu proíbo". Acho que vou trocar de médica. Duvido, por exemplo, que a dotôura Cris me proibisse uma mísera latinha de cerveja. Será que cerveja sem álcool tem sabor? Ou é como dançar com a irmã da gente?

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2 milhões de desempregados em São Paulo. Ontem o Ervilha Palocci declarou que "não há por que ter pressa". Só se for na casa da mãe dele. É isso. Povo bunda, governo bunda. Converso com petistas e só vejo nego botando o rabo entre as pernas com cara de besta. Sem argumentos nem nada a declarar.

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"O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular..."

[Chico - O que será (À flor da pele)]

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Terça-feira, Março 23, 2004
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Algum advogado no recinto? Se houver, sugiro que ponha essa gente na cadeia por crime inafiançável e denuncie seu site ao Comitê Gestor da internet.

Update: não li até o finzinho. O site é gozação.

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"Eu desisto,
não existe essa manhã
que eu perseguia.
Um lugar que me dê trégua
ou me sorria.
Uma gente que não viva
só pra si."

[Taiguara]

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Segunda-feira, Março 22, 2004
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Vai, Shirley Horn, canta. Tu foi paga pra cantar.

Here's to Life


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[Valeu, Binidita.]

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Pra quem precisa escapulir rapidinho de um quarto, não deixa de ser um treinamento: Crimson Room.

[Valeu, Lilian, que achou o link no Impressões Imprecisas.]

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Depois de cometer a mãe de todas as suas cagadas, o neonazifascista Ariel "Bush" Sharon acaba de pedir "a compreensão mundial". Sem comentários.

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Sempre achei Amarula uma bosta de licor. Pois agora essa bosta de licor Amarula, ou seja, os fabricantes dessa merda de Amarula, PROIBIRAM a Alê Felix de usar a bosta da palavra Amarula no título do blog. Advogados, intimações, Comitê Gestor, o escambau em cima dela, censuraram o domínio. Agora o blog vai se chamar LICOR DE MARULA COM FLOCOS DE MILHO AÇUCARADOS. Veja toda a escrota história aqui, no Amarula com Sucrilhos, enquanto está no ar. Absurdo. Bosta de Amarula.

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Sexta-feira, Março 19, 2004
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Vai, Bob Dylan. Canta aí que tu foi pago pra isso.

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Caralho! São Paulo em estado de Atenção por causa do temporal. Granizo cobrindo os telhados. Dilúvio na Zona Sul. Agora há pouco passou aqui um barco enorme cheio de animais. Um velhinho no comando.

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A PRISÃO DA ROSSANA FISCHER.
TODA A VERDADE.


Rola o boato de que a minha chapinha Rossana Fischer teria passado 2 dias na cadeia, e por isso o Wumanity estaria fora do ar. Não foi bem assim. A cadeia nada mais é do que a Orkut Jail, uma prisão virtual, uma regrinha da comunidade virtual Orkut. Quanto ao blog, a Rossana está esboçando idéias para reformá-lo. Por isso tirou do ar por um tempo. Entendido? Esclarecido? Então tá.

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Roubaram a bandeira do monumento ao Ayrton Senna, na entrada do túnel que leva o nome do piloto [SP]. Aquele monumento é tão ridídulo, mas tão ridículo, que poderiam tê-lo roubado inteiro. Seria um favor.

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Não existe ato mais sublime, encantador, do que tirar a calcinha de uma mulher.

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Dia desses, mó chuva, tô batendo um PF no balcão do boteco e entra uma mulher apressada com cara de poucas amigas. Vai direto no caixa:

– Me dá um Praza!
– Dallas?
– Praza!!
– Palace?
– Praza! Praza! Tá surdo? Choveu na tua orêia? Praza!!!

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Enquanto isso, na Desempregolândia, o governo Lula quer aumentar a alíquota do INSS de patrões e empregados.

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"A fome e a miséria sempre existiram no Brasil. Porém nunca foram tão visíveis como agora. Antigamente, a gente via pelas ruas a pobreza. Hoje, o que enxergamos é a miséria. Quem governa deve entender o recado."

Não sou eu quem está dizendo. É a CNBB.

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Quinta-feira, Março 18, 2004
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Nessa guerra de cerveja não tem padre nem freirinha. É briga de cachorro grande e escolado. O Eduardo Fischer tem hoje o cliente Schin. Mas já teve a Brahma. E naquele época não foi nada ético em ações que, para ele, eram "marketing de guerrilha". Tipo pagar a jogadores pra fazerem o Número 1 com o dedo, quando o patrocínio do jogo na Globo era da Kayser. Chegou a mandar paraquedistas aterrisarem em campo com a marca da Brahma e o Número 1, num jogo importante, prejudicando comercialmente a Globo. Então, como bom cabrito, que pare de berrar. Tratando de orientar a Schincariol com urgência para sair da perplexidade e agir com planejamento e criação decentes. Cadê o Plano B? Ah, não tinha? Tá.

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Cris, minha dotôra médica. Tô com um buraco doendo muito aqui na boca do estômago. Tudo que eu engulo, menos desaforo, sinto cair lá dentro, buff! Será que é úlcera? É grave? Quanto tempo eu tenho de vida, Cris?

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Ficou pronto o prédio aqui na frente, que me roubou a vista da ruazinha torta e parte do sol da manhã. Famílias começam a habitá-lo. Terão direito a espetáculos diários. Eu cheguei primeiro e não vou deixar de viver pelado enquanto estiver em casa. Eles que torçam para o tempo esfriar. E antes que me esqueça. Vão roubar a vista e o sol da puta que os pariu.

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MANIFESTO CATARRO VERDE

1. Sou a favor da legalização do aborto
2. Sou a favor da legalização das drogas
3. Sou contra qualquer ginástica ou esporte que não seja foder
4. Sou contra trabalhar
5. Sou contra todas as religiões
6. Estou cagando para o Palmeiras e detesto futebol
7. Não sinto tesão por mulheres pesadas, me dói o osso do púbis quando vêm por cima
8. Sou contra o misto-quente e a favor do hambúrguer
9. Odeio patrões e chefes, quem tem chefe é índio
10. Toda mulher tem que saber chupar direito ou tratar de aprender
11. Mulheres órfãs são as melhores, não tenho de conhecer os pais
12. Todo computador é bom desde que seja Macintosh
13. O ritual do Santo Daime é a coisa mais chata do mundo
14. O Angeli está morto e só falta enterrar
15. Circos com animais devem ser fechados
16. Japoneses que caçam baleias devem ser afogados no mar
17. A chatice é o único pecado humano imperdoável
18. Poodles devem ser extintos, assim como pinchers, pitbulls e rottweilers
19. Sou contra pipoca em cinema
20. Sou contra todos os partidos políticos
21. Odeio usar camisinha, embora use
22. Sou contra a redução da maioridade penal
23. Sou contra a fabricação de armas
24. Toda criança miserável deve ter direito a banho grátis em pet shop
25. Todo filme do Eric Rohmer deve dar direito a travesseiro na bilheteria
26. Não me sinto representado por políticos
27. Não sou governado por governos

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[Valeu, Laerte.]

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Faz uns 2 meses, o Marcurélio fotografou o Agnaldo Timoteo vendendo seus CDs na Praça da República [SP]. O cantor usava um sistema de som: "Por 10 reais você leva um presente pra vida inteira!" e autografava os CDs. Tudo na boa. Até que... os fiscais da Martaxa proibiram. Aí o Agnaldo foi ontem ao programa do Clodovil reclamar.

O Clodovil se emputeceu e mandou chumbo grosso: chamou a prefeita de idiota, inútil, desocupada, perua que teve sorte na vida e que fisgou o sobrenome do outro [o senador Eduardo Suplicy]. A Martaxa disse ontem à noite que vai processá-lo civil e criminalmente por injúria e difamação. Vai voar pena pra todo lado.

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Quarta-feira, Março 17, 2004
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Depois que a Argentina pagou sua dívida, descobri por que o Kirchner é zarolho. Ele mantém um olho no FMI, outro na arquibancada.

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Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.

Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.

[Cortázar]

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Terça-feira, Março 16, 2004
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Este mês a conta da Eletropaulo veio azul. Acho que era pra eu não esquecer de pegar embaixo da porta. Mas já esqueci. Peguei hoje e tava vencida. Uma secretária particular ia bem, aqui. Noções de felação indispensáveis, claro.

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Li no Grobo que a Luma de Oliveira entra hoje com representação no Corpo de Bombeiros do Rio, contra aquele capitão bombeiro babaca. Ela pede o enquadramento do cara no Código de Honra da corporação. Tá certa. Quem não sabe comer quieto tem mais é que se foder.

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Ética? Ética? E desde quando publicitário tem ética? Se tivessem, não teriam destruído o próprio ofício lambendo o cu dos anunciantes em troca de migalhas.

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Nesse episódio do Zeca Pagodinho, a imprensa cumpre o papel que dela se espera: repercute – é assim que se diz? – o assunto para colocar mais azeitona na empada da Brahma e seu capanga Nizan Guanaes.

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Segunda-feira, Março 15, 2004
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* Dica de restaurante italiano: TIA ROSA. Rua Heitor Peixoto, 728, Cambuci. Não vá, é uma merda. O dono, Giuseppe, italiano da escória napolitana, é um psicótico maníaco-depressivo que você acha exótico no começo, enquanto ele faz macaquices sem lhe dar sossego [parece não saber que você foi lá em busca de comida, e não de um palhaço]. O problema é que o cara pode ficar briguento e perigoso sem que você saiba por que. Aconteceu comigo: o cara esculhambou o Lula e veio me mostrar uma carteirinha do Mussolini. Eu lhe disse que não era fascista, ele virou bicho. Resumo da ópera: acabou rasgando meu cheque e me atirando os pedaços na cara. Não agrido gente doente. Ficou por isso mesmo. No mais, a casa esconde sua culinária pobre e medíocre sob um monte de tranqueiras "engraçadas" penduradas por todos os cantos. Um bricabraque tosco e pretensamente folclórico. Sem cardápio, sem preços como manda a lei, e o psicopata cobra o quanto ele quer no final. Enquanto isso, uma velhinha chata circula de mau humor pelo ambiente, fazendo o papel de mamma ou nonna. A cerveja é gelada, mas você está bebendo Bohemia e o cara te empurra uma Brahma no meio, sem contestação. Se você for, leve uma camisa-de-força. Ou a polícia. E, claro, sua própria comida e antepastos.

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[Valeu, Binidita.]

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Domingo, Março 14, 2004
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COMO SALVAR SEUS ARQUIVOS NO BLOGGER DA GLOBO.

Recebi agora. O Ivan Freitas criou um tutorial para quem quiser recuperar seus arquivos no Blogger da Globo. Passe lá, imprima e mãos à obra.

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O momento pede memória fresca: Osama Bin Laden e seus milicianos foram criados, armados e treinados pela CIA, pelo M16 britânico e pelo ISI paquistanês para derrubar o governo pró-moscovita de Cabul, em 1979. Quem pariu Mateus que o embale. E isto se aplica aos aliados da guerra de ocupação ao Iraque.

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Depois dos caminhões de entrega usarem o adesivo "rastreado por satélite", muita gozação apareceu grudada em automóveis: RASTREADO POR JESUS, RASTREADO POR FOFOQUEIROS etc. Já andei postando isso por aqui. Agora quem pensa em criar um adesivo sou eu:

RASTREADO PELO BLOG.

Só pra mim.

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Fico pensando. Os caras da Nova Schin e da Kaiser Novo Sabor foram mexer com a pior raça que tem, depois dos taxistas e dos fumantes. O bebedor de cerveja é fiel à sua marca, tem sempre mil argumentos a favor dela [e se não tem, inventa na hora], briga pela marca dele, conhece a fórmula, compara cor e espuma, não aceita garrafa sem o rótulo, só aceita a garrafa âmbar, é cheio de superstições – não troca de copo porque traz má sorte –, entende de temperatura, lata pra ele altera o sabor, prefere servir seu copo sem intermediários, é ranheta com mudanças de rótulo por menores que sejam [acredita e jura que o sabor muda junto], examina a tampinha pra saber de qual fábrica ou cidade a cerveja veio [ele conhece a água de cada lugar], o escambau. Já vi um cara ligar para o SAC da Itaipava depois da 11 da noite pra tirar uma dúvida. Ficou puto porque a gravação dizia "atendemos até as 18h". "Onde já se viu? A hora que a gente mais precisa do SAC é à noite, quando tá bebendo, porra." No que estava coberto de razão. Por essas e outras, terminantemente só bebo chope da Brahma e cerveja Antarctica Original faixa azul. É difícil de achar, aceito a Pilsen. E até reconheço qualidades na Bohemia e na Itaipava. Mas sabe? A água da...

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AMOR DE VERÃO
[Nizan Guanaes e Paulo Cesar Bernardes]

Quem já não viveu um amor de verão
Até tentou e descobriu que era ilusão
Coisa de momento, que balança o coração
Mas meu amor não tem comparação

Sem ela não tem papo, o pagode não dá liga
Sem ela não há festa, ela refresca a minha vida
Cair em tentação pode ocorrer com qualquer um
Mas grande amor só existe um

Refrão:

Fui provar outro sabor, eu sei
Mas não largo o meu amor, voltei


Zeca Pagodinho tem contrato com a Schincariol até setembro. Mas a Brahma cobriu. E vai cobrir multas, processos judiciais, Conar, o que vier. Ficou acertado que o Zeca aparece cantando nos comerciais da Brahma e não fala do assunto, cuidando apenas de seu caminhão de dinheiro. Eles que são brancos que se entendam. Enquanto isso o samba está no ar: TV, cinema, rádio, internet, o escambau. Provocando na Nova Schin um estrago que eu não desejo ao pior inimigo.

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Sábado, Março 13, 2004
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COMO DESBLOQUEAR SEU BLOG DA GLOBO.

Recebi agora do Fernando Stickel, que recebeu da Carminha:

1. Reduza seus arquivos a menos de 10 mega.

2. Vá na página de configuração, troque a URL pra
qualquer coisa [por exemplo, kjdtdhygf]. Salve.

3. Depois troque novamente essa URL para o nome real. Salve. Republique o blog [não esqueça].

Pronto. Assim, pelo menos você tem a chance de recuperar tudo que estava travado lá. Essa era a maior reclamação de todos os despejados.

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"Vulvas luminescentes para se achar melhor no escuro". Idéias assim você só encontra no Carne Crua. Meu consolo na ressaca é ver que o Bispo Al-Imã também contribui para elevar o nível sócio-etílico-cultural da Zona Oeste.

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NEM TANTO ASSIM
[Lya Luft, em Pensar é Transgredir, 2004]

"Neste começo de milênio somos tão diferentes das mulheres antigas?

O que mudou em nós? Tudo será agora tão positivo como nos dizem, e foi outrora tão ruim como parece?

Afinal, na Idade Média havia tecelãs inscritas em sindicatos; em todas as épocas mulheres cultas escreviam, debatiam, influenciavam seu meio. Embora sempre em quantidade bem menor do que os homens, não eram exceções tão raras quanto nos parecem.

Onde foi parar a história dessas que administravam propriedades e bens quando os maridos iam à guerra, transmitiam a tradição oral da sua gente, eram depositárias de lendas, praticavam medicinas (muitas vezes sendo consideradas bruxas), parindo e educando os futuros guerreiros e mandantes do seu povo?

Rainhas ou mulheres de senhores feudais participaram de campanhas bélicas, ao lado dos maridos, ou lutavam em seu lugar quando eles precisavam combater em outra parte; séculos atrás, na Europa, mulheres não se dedicavam apenas às intrigas da Corte, mas algumas davam cursos públicos de retórica, falavam latim, conheciam teologia e filosofia. As poucas hoje comentadas só aparecem como esposas de seus maridos famosos. (Joana D'Arc teve o nome perpetuado por si mesma: foi preciso que morresse queimada numa fogueira inquisitorial).

Houve toda uma camada de existência organizada, administrada, transmitida pelas mulheres: hoje inicia-se essa escavação, essa arqueologia, reconstituindo o fio que nos foi cortado.

Quais as complexas razões de essas vidas permanecerem na sombra? Foi apenas porque "os livros de história foram escritos por homens", portanto não abrem lugar para nada de importante realizado por mulheres? Acho simplória essa explicação. Eles seriam tão poltrões que não cederiam à mulher o seu devido lugar nos fatos do mundo?

Premida por desejos e necessidades, pondo-se em busca de trabalho e realização além daquela doméstica que aparentemente lhe cabia por destinação, a mulher afinal percebeu que era mão-de-obra desqualificada. Saiu a campo para preparar-se, quando sua situação anterior se cristalizara há um bom tempo. Nem passaria pela cabeça do até então amo e senhor que a mãe de seus filhos pensasse em pegar um emprego, e também a ela isso provavelmente não ocorreria com frequência.

Mulher não "trabalhava fora" a não ser que fosse muito pobre, ou tivesse um marido incompetente para a sustentar. "Mulher minha não trabalha" era dito com certa satisfação ou arrogância. Hoje, em grupos de jovens mulheres, olha-se com certa piedade a que "só" fica em casa.

Isso pode levar a uma inversão exagerada.

Ficar "só" em casa será mesmo tão pouco assim? Ser "apenas" mãe desses filhos, administradora dessas contas e projetos pode não satisfazer plenamente quem sente em si potencial para muito mais que isso.

Mas será uma função inferior?

Que compensações pode trazer em cada família, em cada caso individual?

As questões humanas são complexas começando por isso: dificilmente se pode estabelecer com justiça e justeza regras gerais, quando se trata de costumes, sentimentos, tradições, legados familiares emocionais e conceituais, tipos de relacionamento.

Estamos botando de pernas para o ar nossos conceitos: às vezes é preciso plantar bananeiras mentais para entender o que se passa, e descobrir o que deveríamos fazer. Na maior parte das vezes, temos de nos contentar com o que podemos realizar ou pensar.

Questionar é um bom começo.

Para que a resignação ou o ressentimento, acompanhados pela ignorância, não nos paralisem com seu hálito funesto."

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Depois que o Guilherme mudar de casa eu conto pra onde ele foi.

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Caju Amigo: agora o drink do inimigo.

Na falta de coisa melhor pra fazer, quatro caras juntaram seus dinheiros para "reformar" uma instituição paulistana, o bar Pandoro. Reformar significa roubar do Pandoro seu certificado de autenticidade: a atmosfera decadente onde a versão paulistana do drink Caju Amigo fez sua morada há muitas décadas. O Guilherme, barman da melhor estirpe, também vai dançar depois da reforma. Então não vou mais ao Pandoro. E tenho um segundo motivo para não ir:

um dos quatro gênios da reforma é o Jorge Giganti – o ex-presidente da Coca-Cola brasileira que fez uso de armas pesadas e anti-éticas para fechar seu concorrente Dolly. Segundo seu ex-diretor Eduardo Capistrano do Amaral [li na Veja], os métodos incluíram sabotagem, espionagem, corrupção de órgãos e agentes públicos, ameaças pessoais, divulgação de notícias falsas [inclusive por email, acusando o guaraná Dolly de prejudicar a saúde], coação de fornecedores para bloqueio total de matérias-primas, inclusive plástico PET, e ameaças de morte:

"No méxico não há concorrência: você tem que agradecer que ainda está vivo, porque no México você já estaria morto", disse o representante do Giganti – esse anão moral – ao Laerte Codonho, presidente da Dolly.

Portanto, adeus Caju Amigo. Adeus, Pandoro. Em bar de gângster eu não ponho os pés.

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Acho que preciso de internação. Acordei com três músicas bombando ao mesmo tempo na cabeça: um jingle do Eymael + Dercy Gonçalves cantando "mando bala, meto bala, lasco bala" + um jingle do Janio Quadros. Tudo ao mesmo tempo. E olha que não mexo nos meus arquivos sonoros há tempos. Uma camisa-de-força, por favor? Tem de manga curta?

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Sexta-feira, Março 12, 2004
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O Catarro Verde está à disposição dos despejados pelo Blogger da Globo para informar seus novos endereços. Até agora são mais de 300 desabrigados. Foi assim no tempo do finado Desembucha, vamulá outra vez. É só me escrever.

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*** Cris, a minha chapinha dotôra médica Lagartinha Azul, puxou o carro do Blogger da Globo e já se instalou aqui. Espalhe.

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Quinta-feira, Março 11, 2004
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Ressaca atômica. Quatro garrafas de vinho.
Não bebo nunca mais na vida.
Update: me informaram que foram cinco. Amnésia enológica é jogo duro.

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Quarta-feira, Março 10, 2004
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Cartazes espalhados dentro de um boteco na Aclimação [SP]:

SE VOCÊ ESTIVER A FIM
DE BEIJAR MUUUUUITO...
PROCURE UM LOCAL APROPRIADO.
AQUI A DIVERSÃO É OUTRA.
TODOS AGRADECEM!!!


Todos quem, cara-pálida?

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Mal deu tempo de escrever o post, o Canhedo já tá solto. Agora experimenta você, zé-mané. Rouba um tomate na feira pra alimentar teu filho e depois me escreve. Eu publico aqui. Conto que te meteram na jaula, deram muita porrada, e tu taí aguardando uma vossescelência dotô juiz arrumar tempo de te julgar enquanto vende uma sentença por uma puta grana. Me escreve, zé-mané. Tu não vale bosta nenhuma pra ninguém, mas eu publico. Não adianta nada enquanto não correr sangue nessa merda de país. Entretanto, pode ser. Afinal de contas, o Lula não chegou lá? Chama um marketeiro, zé-mané.

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Bacaninha, essa prisão do Wagner Canhedo, o grande trambiqueiro da Vasp sócio do Excroquércia. Embora o sujeito não tenha curso superior [ter ele tem, mas é em mutretagem], a cela é individual com TV, ventilador e colchão zero-bala. Agora vai você, zé-mané, roubar uma banana na feira pra ver onde te metem. E o que te metem na bunda. Aproveitando: quando um vagabundo tem curso superior, tipo o juiz Lalau – e, portanto, melhor capacidade de discernimento – por que será que ele vai pra uma cela mais confortável? Entra governo sai governo, entra congresso e sai congresso, ninguém muda isso. Parece a Voz do Brasil. E nóis? Nóis é um bando de bundão que num faiz nada e só recrama. Pau na nossa bunda, nóis merece. Arregacem nosso cu, espertalhões gostosinhos. Nóis goza! Ai, hummm! Povinho bunda. Foi nisso que deu a colonizacão portuguesa no mundo inteiro, zé-mané. Ai, põe mais, põe!

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Sempre achei o Jacob Pinheiro Goldberg um psicólogo reaça de merda. Só que agora ele exorbitou. Pediu na justiça a proibição ou censura até 18 anos do filme A Paixão do Cristo, do Mel Gibson. Ele diz que assistiu a uma cópia pirata [é?] e concluiu que a obra é "capaz de conduzir à discriminação anti-semita". Metendo o focinho em seara alheia, acrescentou que o filme é "até anticristão", segundo a Falha de S. Paulo. Tá. Como ator, Mel Gibson sempre esteve abaixo do que se pode considerar mediocridade. Aquela mérdia, você sabe. Consegue encantar menininhas de cultura rastaqüera, educadas na ignorância estética e olhe lá. Cabelo xororó etc, certas moças melam a calcinha. Ocorre que na chamada vida real Gibson é um católico da ultradireita, proveniente de família inquisitorial, e assim incapaz até de aceitar a encíclica Paz na Terra, do papa João XXIII, que deu uma força aos judeus – ao contrário do omisso e filho-da-puta Pio XII, este sim, um cúmplice omisso da Shoa [o massacre nazista que chamam de Holocausto]. Como diretor do filme, e com as credenciais de merda que possui [a Inquisição Católica queimou judeus, além de "bruxas", homossexuais e inimigos], sei lá o quê o fulano Gibson criou. Ainda vou ver, e mesmo assim se alguma mulher gostosa me pagar o ingresso. Pode ser que ele tenha mesmo exagerado na quantidade e no entusiasmo dos judeus que exigiram [?] do lava-mãos Pôncio Pilatos a morte de Jesus, por sinal também um judeu. Agora, porra. Essa atitude do Goldberg é tudo que a história judaica não precisa aqui no Brasil. Ele que vá censurar o neonazista Ariel Sharon e seu muro da vergonha, estes sim verdadeiros ícones anti-israelenses e anti-semitas na cara de todo o mundo. Tentando exercer censura sobre uma obra cinematográfica, seja ela qual for, Goldberg se equipara àqueles que na Alemanha de Hitler iniciaram seu massacre exatamente assim: proibindo quaisquer manifestações judaicas, a começar pelo inocente ato de andar pelas calçadas. Provavelmente Freud explique sua atitude. Mas ó, Jacob: vai entubar uma bureka e vê se não enche o saco.

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Terça-feira, Março 09, 2004
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Aquele bombeiro na TV, lendo os recados da Luma, é o ser que mais se aproxima da definição de babaca. E trata-se de um capitão. Devia ser rebaixado a lavador de latrina.

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[Valeu, Re]

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SCHADENFREUDE OU FILOSOFIA DE BOTEQUIM
[Rubem Fonseca]

Eu acordo cedo e vou andar nas ruas. Às seis da manhã entrei no boteco ordinário, apelidado por mim, amigavelmente, de Xexelento, e pedi um cafezinho. Nesse momento um sujeito grande entrou no boteco, com um jornal na mão e disse: "Hoje é o Dia Internacional da Mulher".

Eu comecei a dizer "É um dia de festa...", mas o homem - vamos chamá-lo de Grandão - não me ouviu, ou não se interessou pelo que eu ia dizer, ou então tinha uma mensagem urgente que queria transmitir aos demais homens do boteco. Era o caso. "Vamos comemorar o Dia da Mulher lendo esta notícia da primeira página do jornal". Leu a manchete: "Bombeiro conta tudo, ele namorava a modelo. Vocês viram, o bombeiro comia aquela vadia da Luma de Oliveira".

"Dá licença", eu o interrompi e ele calou a boca. "Quando o senhor entrou aqui e falou no Dia Internacional da Mulher, eu comecei a dizer que era um dia de festa, e o senhor não me ouviu. É um dia que deveria lembrar a todos nós que a mulher deve ser tratada com amor, respeito, consideração e carinho. Todas as mulheres, inclusive a que cozinha para nós. E a mãe da gente também."

"Essa Luma é uma mulher sem-vergonha, falsa."

"Não é. É apenas uma narciso-exibicionista." (Acho que inventei essa palavra).

"O que é isso?", perguntou um cara que tomava uma média e comia um "joelho", uma coisa feita no forno com recheio de queijo e presunto.

Pensei em contar a lenda do jovem que se apaixona por si mesmo ao ver sua beleza refletida na água, mas contive-me. Disse apenas: "Uma pessoa que gosta da sua própria beleza". 

"Precisa tirar foto pelada na 'Playboy'?"

"Veja bem, ela se acha bonita, todos a acham bonita e tirar foto pelada é uma forma que ela encontra de imortalizar a própria beleza, que tanto fortalece sua auto-estima e a deixa feliz, beleza que ela sabe, de maneira consciente ou inconsciente, que um dia vai desaparecer. Muitas e muitas mulheres bonitas gostariam de posar nuas para a 'Playboy' e se não posaram é porque não foram convidadas, ou não são suficientemente narcisistas para isso, ou não têm coragem."

"Você é professor?"

"Só dou aula em botequim. Posso continuar? Mais um minuto."

"Pode", disse o Grandão. Há uma tendência da minoria de aceitar que os mais fortes decidam por ela, e assim os raquíticos nada disseram. 

"Você falou falsa? Ela por acaso é presidente da Liga da Decência e estava enganando meio-mundo? Porra, ela tirava foto pelada, desfilava pelada, não é nenhuma hipócrita, não comete qualquer impostura e falsidade, nós sabemos quem ela é, ela nunca escondeu nada de nós - corpo e alma. Essa moça não faz mal a ninguém, e se alguém pode se sentir ofendido pelo episódio é apenas o marido."

Ficamos calados, tomando café ou comendo as gororobas horrendas do Xexelento.

Aproveitei o silêncio, já que agora eu tinha também a atenção dos dois garçons: "Sabem quem são os vilões dessa história?"

"Vilões?!"

"Os bandidos. Ela é a 'mocinha' da história. Sabe quem são os bandidos?"

Outro silêncio.

Continuei: "Os bandidos são, pela ordem: a imprensa, o bombeiro e nós. A imprensa, que não se envergonha de ter um comportamento desses apenas por mercantilismo, para vender mais anúncio de cerveja; o bombeiro, que por vaidade não hesita em cometer uma vileza, para andar pelas ruas, ser apontado com admiração pelos circunstantes, que dizem "lá vai o cara que comeu a Luma de Oliveira" - e quem sabe, ele talvez seja convidado para participar do próximo 'Big Brother', ou então para ter o seu próprio programa de televisão. E finalmente o vilão final somos nós, todos nós, que gostamos da sensação do schadenfreude, esse invejoso prazer que sentimos ao constatar a desgraça, o opróbrio dos outros."

"Agora ficou difícil, professor", disse o Grandão.

"Obrigado, pela atenção de todos. Bom dia." Coloquei dez pratas na frente do Grandão. "Quando você for para casa, leva umas flores para a sua mulher."

Fui andando pela rua, pensando: vale a pena trabalhar para as mulheres.

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Todos já devem saber: o Blogger da Globo detonou o Pensar Enlouquece, do Ina. Tascaram lá: "Este site foi bloqueado por não respeitar as Normas de Utilização do Blogger." Mas ele está intacto aqui, no novo endereço. O que eu não entendo é a existência desse outro Pensar Enlouquece.

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Segunda-feira, Março 08, 2004
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Então é hoje.
O dia internacional da mulher.
A todas elas, com absoluta prioridade às que me lêem, meus beijos.
A escolher – e quem sou eu para sugerir critérios? Cada uma
há de saber o seu.

Beijos na boca, na língua, nos lábios, nas bochechas, no queixo, na testa, na ponta do nariz, e ali estando, de esquimó, no pescoço, no cangote, na orelha direita, nos cabelos, nos ombros, nas axilas sem desodorante, nos cotovelos com ou sem dor, no bico dos seios, nas costas descendo da quinta cervical até a bunda, e bem lembrado: em toda a bunda, e ali onde começam as coxas, no umbigo, nos pentelhinhos, no grelo devidamente lambido em volta sem nenhuma urgência, no meladinho da buceta, no cuzinho, na parte interna das coxas e ali no avesso dos joelhos descendo pelas pernas, nos tornozelos com e sem tornozeleiras de correntinha, nos pés, nas mãos. Demoradamente, na alma.

Com a minha gratidão. Tudo o que sei de bom na vida, aprendi com mulher.


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PoemaGalera
[Alexandros Evremidis]

Ahá ahá
Eu quero te amá
Ehê ehê
Eu quero te comê
Ihi ihi
Quero fazer xixi
Ohô ohô
Quero fazer cocô
Uhu uhu
Quero foder teu cu

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Domingo, Março 07, 2004
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Feijão. Um ovo. Uma cebola. Farinha flocada. Uma lata de atum. Não é receita não, foi o que encontrei aqui no mocó – nem por uma xana eu saio pra comer na rua agora. Y nada más. Pico a cebola, entrego-a todinha à sanha do azeite até que, translúcida, ela me peça piedade. Dou-lhe então por companhia os nacos de atum que arranquei da lata livrando-me do óleo vagabundo que sempre vem. Diesel, provavelmente: é a marca mais barata. Viro o feijão na farinha até que se entendam no ponto certo. Vão todos para o prato, o ovo estrelado, gema mole, reinando em cima do feijão. Pífio reinado, porque não passa pela cabeça de um ovo que o rei aqui sou eu.

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amor
para me ter
tem que meter
e
para meter
tem que me ter

[L.]

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Sono.

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* Descobri um lugar lá na Saúde [SP] que tem uns risotos fantásticos. A dona prepara na hora com arroz arbóreo, deixa você acompanhar bebendo vinho na cozinha e depois te serve à luz de velas. A música é de bom gosto e a mulher é uma gostosa que, se você bobear, desvia a atenção do prato. Gostosa e linda. Não tenho o endereço aqui, só sei ir. E voltar, claro.

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Blogar é terapia ocupacional. Bem que eu merecia ter a Maria Fernanda Cândido aqui do lado me orientando.

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Sábado, Março 06, 2004
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Se chover tem Jack Nicholson. Se não chover tem Jack Nicholson.