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CATARRO VERDE

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ASSIM É, SE LHE PARECE.

[Pirandello]



BLOG MAL E PORCAMENTE
ESCRITO DESDE 2001 POR SERGIO FARIA,
GINECO-PROCTOLOGISTA AMADOR,
ADVENTISTA DO 7º DÍGITO,
TRESBESTERIANO E DEVOTO
DE SANTA IGNORÂNCIA.

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POR QUEM NÃO É CEGO.







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Primeira lição
de informática:

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hardware é aquilo
que você chuta
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Segunda-feira, Outubro 31, 2005
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Eu queria saber quem foi o filha-da-puta que xaropou a Coca Light.

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Sexta-feira, Outubro 28, 2005
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Clique aqui pra alimentar essas pessoas de olhar tão triste esperançoso.

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Ah, entendi. O Boal vai receber um mensalinho de 11 mil, além de uma indenização retroativa a ser calculada. Augusto Boal, dramaturgo e diretor, um dos líderes do Teatro de Arena [SP], foi censurado, preso, torturado e exilado pela ditadura militar brasileira de 1964. Sempre admirei e fui solidário. Respeito seu teatro de rua, o Teatro do Oprimido, o papel do cara. Mas essa boquinha, semelhante à do Cony, nosso melhor escritor de quinta categoria, pra mim é uma excrescência. E é claro que o cara, prestes a ser subsidiado pelos usurpadores do sonho, assina abaixo-assinado pró Zé Dirceu, pró PT corrupto, pró escambau. É conveniente. E constrangedor.

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Quinta-feira, Outubro 27, 2005
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Só o rabão preso nas tetas do dinheiro público explica a assinatura do Abu, Boal, Ziraldo, Zelio, Ciça, Niemeyer, Paulo Caruso, Fernando Morais, Guarnieri e companhia numa merda dessas. Podiam batizar o abaixo-assinado de "Me-dá-um-dinheiro-aí". Estou comovido com o idealismo dessa gente. Gorf!

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Veja você. Saiu um abaixo-assinado [aqui] defendendo o mandato do Zé Dirceu e considerando sua cassação "uma afronta às regras democráticas cuja conquista custou tanta luta e sacrifício". Pois é. Tanta luta e sacrifício pra esse cara, seu marionete Lula e o resto da quadrilha nos roubar o principal: a esperança.

Olha só quem assinou a favor do Zé Dirceu. A lista vai de A [de Antonio Abujamra] a Z [de Ziraldo]:

abelardo blanco (arquiteto) >> afonso borges (jornalista e produtor cultural) >> afonso magalhães (coordenador da central de movimentos populares) >> aldo lins e silva (advogado e conselheiro da república) >> alfredo buso (arquiteto) >> aluisio palmar(jornalista) >> alvaro caropreso (jornalista) >> ana clara schemberg (bióloga) >> ana de hollanda (cantora) >> antonio abujamra (dramaturgo) >> antonio grassi (ator) >> antonio netto (presidente da cgtb) >> antonio pitanga (ator) >> argemiro ferreira (jornalista) >> ariovaldo ramos (pastor evangélico) >> aton fon filho (advogado) >> augusto boal (autor e diretor teatral) >> beth fleury (jornalista e escritora) >> caio rosenthal (médico) >> cecília vicente de azevedo alves pinto (escritora) >> cláudio cerri (jornalista) >> claudio kahns (cineasta) >> claudio tozzi (pintor) >> consuelo de castro (escritora) >> cosette alves (empresária) >> dalmo dallari (jurista) >> darcio pauperio serio (advogado) >> eduarda duvivier (arquiteta e escultora) >> eduardo fagnani (economista) >> emir sader (cientista político) >> fernando lyra (advogado) >> fernando morais (escritor) >> flávio tavares (jornalista e escritor) >> frederico mazzucchelli (economista) >> gianfrancesco guarnieri (ator e escritor) >> guilherme fontes (ator e cineasta) >> hildegard angel (jornalista) >> jards macalé (músico) >> joão felício (presidente da cut) >> josé de abreu (ator) >> josé roberto aguilar (artista plástico) >> laércio de almeida lopes (psiquiatra) >> lawrence pih (empresário) >> lia ribeiro dias (jornalista) >> luciano chirolli (diretor de teatro) >> luciano coutinho (economista) >> lucy barreto (produtora de cinema) >> luis vergueiro (publicitário) >> luiz carlos barreto (cineasta) >> luiz fernando emediato (jornalista e editor) >> luiz gonzaga belluzzo (economista) >> luiz paulo rosenberg (economista) >> malu alves ferreira (jornalista) >> manoel de serra (presidente da contag) >> márcia frazão (escritora) >> maria alice vergueiro (atriz) >> maria augusta carneiro ribeiro (socióloga) >> maria das graças sena (produtora de cinema) >> maria do amparo araújo (familiares de mortos e desaparecidos) >> maria helena moreira alves (cientista política) >> mariza leão (cineasta) >> olgária mattos (filósofa) >> oscar niemeyer (arquiteto) >> osmar prado (ator) >> ottoni fernandes jr. (jornalista) >> paulo betti (ator) >> paulo caruso (cartunista) >> paulo maldos (psicólogo) >> paulo ribeiro (jornalista e empresário) >> paulo thiago (cineasta) >> pedro paulo sena madureira (editor) >> radha abramo (crítica de arte) >> raimundo rodrigues pereira (jornalista) >> reinaldo guarany (artista plástico e escritor) >> ricardo kotscho (jornalista) >> rui goethe da costa falcão (jornalista e advogado) >> sérgio amadeu (sociólogo) >> sérgio rezende (cineasta) >> sérgio sérvulo da cunha (advogado) >> sérgio sister (jornalista e artista plástico) >> silvio da rin (documentarista) >> suzana keniger lisboa (familiares de mortos e desaparecidos) >> sylvia bahiense naves (diretora da cinemateca brasileira) >> tizuka yamasaki (cineasta) >> toni cotrim (publicitário) >> vanderley caixe (advogado) >> vanya guarnieri (socióloga) >> vladimir sacchetta (jornalista e produtor cultural) >> wagner tiso (músico) >> zélio alves pinto (artista plástico) >> ziraldo (cartunista) >> carlos tavares (jornalista, advogado, bancário).

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Terça-feira, Outubro 25, 2005
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Do blog do Noblat. Leia o resto lá.

Herzog na Cadeira do Dragão

A voz do locutor no rádio informando que o general e ditador espanhol Francisco Franco havia recebido a extrema-unção se confundia com os gritos de dor e de pânico que vinham de uma sala pequena, sem janelas, com um armário, cordas, paus e outros instrumentos de tortura, uma mesa e uma cadeira.

Sentado na cadeira, com o assento e o encosto para os braços e para a cabeça revestidos de placas de metal, estava Vladimir Herzog, 38 anos, jornalista. Ou apenas Vlado, como era chamado pelos amigos e parentes.

Na sexta-feira, 24 de outubro de 1975, o diretor de jornalismo da TV Cultura havia sido intimado a depor na manhã do sábado, 25, no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-CODI, no Bairro Paraíso, 1030, em São Paulo.

A "Cadeira do Dragão", na qual Vlado estava amarrado pelos braços, pés e tronco, era usada em sessões de choques elétricos para arrancar confissões durante a ditadura militar. Ele estava encapuzado para não poder identificar seus algozes.

Tinha uma equipe de torturadores na sala junto com Vlado - entre eles, um homem de 1,75 metro de altura e 65 quilos, tatuagem de uma âncora cobrindo quase todo braço, cabelo castanho-claro e 39 anos de idade. O nome dele: Pedro Antonio Mira Grancieri, investigador de polícia e funcionário do DOI-CODI.

Grancieri era o mais empenhado em arrancar confissões de Vlado. Em certo momento, os agentes apelaram para os companheiros de trabalho de Vlado que também estavam detidos no DOI-CODI.

Os jornalistas Rodolfo Oswaldo Konder e George Benigno Jatahy puderam falar por um breve momento com ele. Seguiram as ordens de Grancieri e pediram a Vlado para confirmar as informações que os agentes queriam ouvir.

Não adiantou. Ele disse que não sabia de nada - e voltou a ser espancado.

- Tragam a "pimentinha" - ordenou Grancieri.

Pimentinha era o nome dado à máquina de choque elétrico que se ligava à "Cadeira do Dragão".

Foi nessa hora que os xingamentos e os gritos de dor se misturaram aos ruídos do rádio. Depois de alguns minutos, fez-se silêncio. Um silêncio tão pesado e perturbador que pôde ser ouvido em salas próximas daquela.



A armação covarde da polícia, a serviço da ditadura militar brasileira de 1964: espancaram, mataram, penduraram o Herzog pelo pescoço e inventaram a versão de suicídio.

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Sexta-feira, Outubro 21, 2005
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Os 3 filhos de Francisco.


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A cada ano que passa, o poster da Mostra fica pior. Esse aí de cima é o de 2005, assinado pela Isabella Rossellini. Uma bosta. Assim como o do ano passado, assinado pelo Amos Gitai. Outra bosta. O Leon Cakoff bem que poderia deixar de ser caipira deslumbrado com rabiscos de gente do cinema internacional, voltando a convidar designers para criar o cartaz. Brasileiros, se não for incômodo.

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Quinta-feira, Outubro 20, 2005
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Tejem presas.



E o protesto contra a truculência da PM em cima das meninas que namoravam na USP? Ia rolar hoje às 15h30 mas não achei notícia em lugar nenhum. É absurda, preconceituosa, inaceitável a acusação de "ato obsceno" contra as minas. Obscena é a história da PM.

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Já gozou hoje? Eu já.

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Putaquiospariu. O sindicalista Luiz Marinho, hoje ministrinho do trabalho do Lula, se vendeu à Volkswagen em troca de putas e hospedagem de luxo numa visita a Wolfsburg [aqui]. Não se noticiou pagamento em dinheiro e nem precisa. Esse pelego nunca me enganou.

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Ulha: o Pearl Jam vai mesmo tocar em SP dias 2 e 3 de dezembro. O Serra voltou atrás na proibição, desde quer os caras encerrem o balanga-saco às 21h45, quinze minutos antes da lei do silêncio. Meno male. Vai ver, o ovo na cara clareou a zidéia do careca.

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Vão soltar o Maluf.

Por 5 votos a 3, o STF mandou soltar imediatamente o bandido-filho Flavio Maluf. A decisão deve se estender ao bandido-pai. O nome do presidente do STF é Nelson Jobim, ele já votou a favor do Zé Dirceu e tem pretensões políticas. Memorize esse nome. Nelson Jobim.

Update: soltaram também o filho-da-puta do pai.

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Urru! Começa amanhã a Mostra 29. Primeirão da fila pra ver Flores Partidas. Jarmusch rulez!

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Merda de horário de verão. Merda. Merda.

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Frango resfriado eu sempre comi. Gripado me recuso.

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O olho do cu do Wilma.

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Sabe o nome verdadeiro do Tutty Vasques? Alfredo Ribeiro. O Caetano que falou [texto bom].

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Terça-feira, Outubro 18, 2005
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Só mais uma.


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Oba! Um site de placas.


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No meio do sapato
[D´après Drummond aussi]

No meio do sapato tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do sapato
tinha uma pedra
no meio do sapato tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do sapato
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do sapato
no meio do sapato tinha uma pedra

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No meio das coxas
[D´après Drummond]

No meio das coxas tinha uma flor
tinha uma flor no meio das coxas
tinha uma flor
no meio das coxas tinha uma flor

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio das coxas
tinha uma flor
Tinha uma flor no meio das coxas
no meio das coxas tinha uma flor

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2 Jecas Insuportáveis de Francisco é o filme mais visto no Brasil em 2005. Quase 4.500.000 pessoas assistiram. Ouvi dizer que pode ganhar o Oscar. Merecem-se.

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Samba Power, o site do Nereu. Beleza!

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Segunda-feira, Outubro 17, 2005
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A velhinha de programa.



[Texto da reportagem de Raul Pereira para o jornal O Potiguar. Valeu, Rodrigo Levin]

Era fim de tarde quando a equipe de reportagem chegou e ela estava sentada na frente de casa numa cadeira de balanço. Aquelas com estrutura de ferro e enroladas com fios de borracha colorida. A dela tinha um tom lilás. À primeira vista parecia uma vovó aposentada cumprindo o ritual diário de ver a vida passar pela calçada. Mas não. Josefa Paula da Silva, 83 anos, prostituta, mora sozinha no bairro Alto do Louvor, em Mossoró, e aguardava o cair da noite para mais uma jornada de trabalho.

Pode parecer estranho, aos 83 anos, continuar na prostituição. Entretanto, para essa paraense de Santarém, a vida não reservou outra escolha. "É o que eu sei fazer", disse. Com os cabelos brancos tingidos de loiro, um vestido surrado e o rosto com as marcas do tempo, deixava transparecer um certo ressentimento da vida. Ela garantiu que é feliz, mas os olhos teimavam em desmentir a senhora de programa.

A história de dona Josefa já foi como a de muitas outras mulheres. Casamento, filhos, uma vida que para ela, hoje, é burocrática, mas que já fez parte dos sonhos. Josefa foi casada, teve um casal de filhos e morava com a família em Santarém, no Pará. O marido, alcoólatra, passou a bater nela e a tratá-la mal. "Ele mudou muito. Não suportei aquela humilhação e disse para mim mesma: agora vou viver no mundo". O ano era 1943. Ela veio para Mossoró com uma amiga e entrou na "vida". O amor do passado se resume a lembranças tristes. Os filhos, entregou para a mãe criar. Os pais ficaram no Pará e os contatos passaram a acontecer de "tempos em tempos".

Josefa sempre morou no Alto do Louvor. Um bairro que, no passado, abrigava as principais casas de prostituição de Mossoró. "Hoje não tem mais cabaré por aqui. É tudo família", disse a experiente prostituta. Ela lembra que nos tempos áureos do Alto do Louvor o movimento era intenso. Políticos, jornalistas, advogados e funcionários públicos freqüentavam o local. "Era só gente da alta que vinha aqui. Meus clientes sempre voltavam", ressaltou. Entre um cliente e outro, a paixão voltou a bater no coração magoado de Josefa. "Eu amei outro homem. Era um jornalista que hoje mora no Rio de Janeiro. Fiquei seis anos com ele. Mas isso está no passado". Discreta, ela pediu para preservar o nome do amante e das demais autoridades que passaram por lá. "A família pode não gostar", explicou.

Já são mais de 60 anos vivendo como prostituta, uma profissão que, geralmente, está ligada à estética, à beleza. "Mas os clientes não procuram apenas isso", observou dona Josefa. Segundo ela, todos os dias há clientes em casa. "Eles querem atenção, carinho. Querem conversar e é claro, também querem sexo". Questionada se a idade não é um problema, ela garante que os mais de 80 anos não atrapalham. "Tem homens que gostam de mulheres mais experientes". O programa não tem preço fixo. "Varia. Eles dão R$ 10 e até R$ 20".

A clientela de Josefa é composta em sua maioria por homens mais velhos. "De 60 pra lá". Entretanto, os mais novos também aparecem de vez em quando. "Tem garotão de 20 anos que chega aqui na minha porta. Eu pergunto porque eles não vão atrás das menininhas novinhas e eles respondem: as mais experientes sabem fazer melhor". Em tempos de AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, Josefa se mostra contextualizada. Preservativos não faltam numa gaveta de um armário velho no canto da sala de cimento batido. "Tem que usar camisinha", diz.

Josefa mora sozinha, mas sempre alguém aparece para fazer companhia. Além dos fregueses, ela complementa uma aposentadoria conseguida com a ajuda de um cliente influente alugando quartos para casais. "É pouquinho. Cada quarto é R$ 2. Eles fazem o serviço e vão embora. Desse jeito a casa quase nunca fica sem ninguém", explicou. Sobre o preconceito, ela destaca o fato de nunca ter sido discriminada por ser uma prostituta. "Aqui na rua todo mundo me respeita. Sou uma pessoa 'ajudadeira'. Sempre que alguém precisa estou pronta para estender a mão", disse. Josefa acredita que o respeito é o mais importante para a convivência entre as pessoas. "Digo para os jovens: respeitem os outros para conseguirem ser alguém". A noite estava chegando e, apressada, ela perguntou à reportagem se ainda faltava alguma coisa.

"Tenho o que fazer. Está na minha hora".

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Domingo, Outubro 16, 2005
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As pessoas me falam de mortes no Paquistão, fim dos tempos, a merda toda. Ora, quanto mais mortes, melhor. A Terra precisa se livrar da raça humana com absoluta urgência. O ser humano não presta, é um péssimo projeto, não dá certo. Sem exceções, nunca vi uma. A extinção de centenas de milhares de humanos, longe de ser tragédia, para mim é uma grata esperança. Torço por "catástrofes" que levem pras cucuias centenas de milhões, milhares é muito pouco. Menos o Maluf. Esse eu gostaria que saísse morto da cadeia, estuprado e estrangulado pelo próprio filho. Seria também o meu fim, a minha contribuição pessoal à sobrevivência do planeta, porque eu ia morrer de rir.

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Quinta-feira, Outubro 13, 2005
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A Veja nega que o prédio alugado pela Editora Abril, na Marginal Pinheiros [Edifício Birmann 21], pertença ao Daniel Birmann, dono da CBC, maior fabricante de munição da América Latina. Se a Veja nega é porque é verdade.

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A quadrilha petista que assassinou o prefeito corrupto Celso Daniel continua matando. Primeiro foi morto um dos raptores. Depois o cara que o escondeu em casa. Depois um investigador ligado ao caso. Depois o garçom do Rubayat, restaurante onde o prefeito jantou com um de seus namorados pouco antes de ser raptado e morto. Depois a testemunha da morte do garçom. Depois o agente funerário que reconheceu o corpo. Seis defuntos. Agora mataram o legista que examinou o cadáver do prefeito. Sete defuntos. Oito com o próprio. Quando o presidente da república e seu comparsa zé dirceu estão envolvidos no trabalho sujo, tudo pode acontecer.

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Sexta-feira, Outubro 07, 2005
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Obrigado, Senhor, pelo capricho dedicado ao design das mulheres negras. Agradeço também pelos meus olhos gulosos que a terra há de comer, mas só depois de contemplar esse belo rabo.

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Quando me perguntam onde estou trampando, a resposta exata é Dogville. Se me entende.

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Oito vezes Denise.



Festival Denise Stoklos, 15 a 31 de outubro, CEU Butantã [sp]. Oito espetáculos diferentes, dessa mulher genial. [11] 3732-4551. Programação aqui. Quem perder é mulher do padre.

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Quinta-feira, Outubro 06, 2005
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O Brasil armado eu já conheço e acho uma bosta.
Dizer que arma defende alguém é papo de otário
ou gente pior, comprometida com a indústria de
armas e seus lobistas de merda. Armas, tô fora.

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Quarta-feira, Outubro 05, 2005
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Coisinha mais tchuca.

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Não deu pra ver direito? Não seja por isso.

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Depois desse momento de fé e religiosidade, voltamos à nossa programação normal.

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Terça-feira, Outubro 04, 2005
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4 de outubro, dia de São Francisco.

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Conhece o frei Felipinho? É um frade franciscano alegre e brincalhão, que faz licor no próprio quarto do mosteiro, grande figura humana. Na dificuldade ele pode te ajudar a, digamos, fazer contato com o padre fodão.

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Pe. Alderígi deve estar na festa do Chiquinho. Amanhã ele volta a atender. Tá precisando muito? Pede a ele e depois me conta. Alderígi não falha.

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Salve, São Francisco! Protege este animal.



Oração de São Francisco

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver o fensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve a união
Onde houver dúvida, que eu leve a fé
Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
Onde houve r trevas, que eu leve a luz
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive para a vida eterna

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